
Pequim (China) — O presidente da Rússia, Vladimir Putin, desembarcou nesta terça-feira (19/05) em Pequim para se reunir com o líder chinês, Xi Jinping. O encontro estratégico ocorre poucas horas após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, encerrar sua primeira visita de Estado ao país em quase uma década.
Isolado diplomaticamente pelo Ocidente devido à guerra na Ucrânia — que já dura mais de quatro anos —, Putin busca demonstrar que a parceria entre Moscou e Pequim segue inabalável e blindar o mercado de exportação de petróleo para os chineses.
De acordo com o comunicado oficial do Kremlin, os dois líderes pretendem discutir o fortalecimento da parceria estratégica e alinhar posições sobre temas internacionais cruciais.
Para o governo russo, a manutenção do apoio econômico de Pequim é vital, já que a China se consolidou como a principal compradora do petróleo russo sob sanções internacionais.
A preocupação de Moscou aumentou após Donald Trump declarar, em entrevista à emissora Fox News durante sua estada na capital chinesa, que Pequim havia concordado em comprar petróleo dos Estados Unidos.
Vínculos estáveis contra a pressão de Washington
Apesar do recente esforço de aproximação de Donald Trump para estabilizar as turbulentas relações entre Washington e Pequim, analistas internacionais apontam que a ligação entre Xi Jinping e Vladimir Putin possui bases estruturais mais sólidas.
Em setembro de 2025, na sua última agenda na China, Putin foi recebido publicamente por Xi como um “velho amigo”, uma deferência e um tom cordial que não foram estendidos a Trump na semana passada.
Em mensagem de vídeo dirigida ao povo chinês nesta terça-feira (19/05), o mandatário russo reforçou que os laços bilaterais atingiram um nível “sem precedentes”, embora tenha ressaltado que a cooperação não visa se aliar contra nenhum terceiro país.
A postura da China em relação aos conflitos globais também reforça o alinhamento implícito com Moscou. Embora adote um discurso oficial de neutralidade e defenda a abertura de negociações de paz para a Ucrânia, Pequim nunca condenou formalmente a ofensiva russa.
O presidente americano deixou a Ásia sem conseguir avanços significativos com os chineses sobre o conflito ucraniano.
Especialistas do setor avaliam que Xi Jinping deve reportar os detalhes das conversas com Trump a Putin, o que tende a acalmar os temores russos de uma eventual concessão da China que pudesse contrariar os interesses de Moscou.
Divergências geopolíticas no Oriente Médio
Por outro lado, o avanço dos conflitos que envolvem os Estados Unidos, Israel e o Irã expõe prioridades econômicas distintas entre os dois parceiros asiáticos.
Sendo uma potência comercial de exportação global, a China depende fortemente da segurança das rotas marítimas internacionais e tem interesse no fim imediato do impasse no Estreito de Ormuz para normalizar suas atividades logísticas.
Já a Rússia se beneficiou economicamente com as tensões no Oriente Médio, que provocaram a flexibilização de sanções sobre o fornecimento de energia russa e o encarecimento dos barris no mercado internacional.
Como alternativa para mitigar os riscos de desabastecimento global provocados pelos conflitos armados no Golfo Pérsico, o governo russo já se movimenta para ampliar sua fatia de fornecimento ao mercado asiático.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, sinalizou recentemente que Moscou está pronta para compensar eventuais déficits de energia enfrentados pela China, amarrando ainda mais a dependência comercial entre os dois países vizinhos.
Da Redação, com informações de agências internacionais







