
Brasília — O pré-candidato à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (PL), recuou de sua estratégia inicial de negação e admitiu, nesta terça-feira (19/05), que se reuniu secretamente com o banqueiro Daniel Vorcaro, e que o encontro aconteceu logo após o dono do Banco Master ter sido preso pela primeira vez, em novembro de 2025, no âmbito da Operação Compliance Zero.
A admissão desmorona a narrativa anterior do parlamentar, que tentava negar qualquer proximidade com o empresário, e joga o Partido Liberal (PL) em uma crise ainda mais profunda de desgaste político.
A mudança repentina no discurso do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro acontece após o portal The Intercept Brasil expor áudios e mensagens explícitas do senador cobrando repasses financeiros de Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia que retrata o clã Bolsonaro.
Encurralado pelas provas técnicas divulgadas pela imprensa, o parlamentar agora tenta emplacar uma nova justificativa: alega que a reunião com o banqueiro — que passou dez dias detido por ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF) — serviu exclusivamente para formalizar o “distrato” e encerrar a participação do empresário na produção cinematográfica.
As investigações jornalísticas e policiais, no entanto, desmentem o tom de normalidade que o senador tenta dar ao caso. O volume de recursos negociados nos bastidores contradiz a tese de um patrocínio comum.
De acordo com os registros obtidos, o dono do Banco Master havia se comprometido a injetar expressivos R$ 134 milhões no projeto biográfico da família, sendo que pelo menos R$ 61 milhões foram efetivamente liberados e transferidos antes da operação policial estourar.
A nova contradição de Flávio Bolsonaro gerou um forte abalo na cúpula do PL. Nos bastidores da legenda em Brasília, a avaliação é de que o pré-candidato foi “pego na mentira” consecutivas vezes no mesmo dia, já que passou as últimas semanas desqualificando as denúncias como perseguição política.
Parlamentares de oposição aproveitaram a admissão do senador para endurecer a pressão no Congresso Nacional, classificando o episódio como um escândalo de lavagem de dinheiro disfarçado de produção cultural e exigindo que a Polícia Federal aprofunde as investigações sobre o fluxo financeiro entre o Banco Master e as contas ligadas à família Bolsonaro.
Da Redação







