
Manaus (AM) ─ Em um movimento que levanta sérios questionamentos sobre a gestão dos recursos públicos, o prefeito de Manicoré, Lúcio Flávio (PSD), autorizou um contrato de R$ 1,3 milhão para a aquisição de quatro veículos destinados à Secretaria de Saúde do município, distante 347 quilômetros de Manaus.
A transação, publicada no Diário Oficial dos Municípios em 23 de maio, chama atenção não apenas pelo vultoso valor, mas pela notável ausência de transparência quanto às especificidades dos veículos e à justificação pormenorizada de sua finalidade.
O contrato foi firmado com a empresa Bellan Veículos, sediada em Marialva, no Paraná, a mais de 3 mil quilômetros de Manicoré. Segundo o extrato da Ata de Registro de Preço nº 011/2025, derivado do Pregão Eletrônico nº 013/2025, a aquisição inclui três caminhonetes Toyota Hilux, modelo 2025, cabine simples, ao valor unitário de R$ 336 mil, e uma ambulância furgão Ford, modelo 2025, por R$ 371 mil.
Embora a destinação dos veículos seja genericamente apontada para “ações de saúde no município, especialmente no transporte de pacientes em áreas de difícil acesso”, o contrato carece de um detalhamento claro sobre as especificações técnicas que justificariam a escolha desses modelos específicos e seus altos custos.
Não há informações precisas sobre adaptações necessárias para as “áreas de difícil acesso” ou sobre a configuração exata da ambulância que justifique seu valor, levantando dúvidas sobre a real adequação e otimização do investimento.
A escolha de uma empresa tão distante da região Norte, a Bellan Veículos (CNPJ 18.093.163/0001-21), com um capital social de apenas R$ 115 mil, conforme a Receita Federal, agrava as preocupações com a transparência.
A distância geográfica e o capital social modesto da empresa, cuja atividade principal é o comércio varejista de automóveis novos, adicionam uma camada de opacidade ao processo de contratação, especialmente para um contrato de tal magnitude e importância para a saúde pública.
Este contrato milionário soma-se a outras despesas expressivas, como o acordo de mais de R$ 10 milhões firmado em maio com a Plastiflex Empreendimentos da Amazônia LTDA para serviços de engenharia, incluindo recapeamento asfáltico e manutenção de ruas.
A recorrência de contratos de alto valor, com detalhes que permanecem obscuros, reforça a necessidade de maior clareza na gestão municipal.
A reportagem tentou contato com a prefeitura de Manicoré para obter esclarecimentos sobre essas aquisições e a escolha da empresa, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestação.
Da Redação










