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Ministra Nancy Andrighi assume relatoria de ação penal contra Wilson Lima  

A Ação Penal contra Wilson Lima agora está nas mãos da ministra Nancy Andrighi ─ FOTO: Reprodução  

 

Manaus (AM) — A Ação Penal nº 993, que tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra o ex-governador do Amazonas e pré-candidato ao Senado, Wilson Lima, mudou de mãos. A ministra Nancy Andrighi é a nova relatora do processo, assumindo o caso que antes estava sob a condução do ministro Francisco Falcão. A alteração na relatoria ocorreu oficialmente no dia 17 de junho.

A abertura de prazo para “vista aos interessados” publicada no Diário da Justiça serve justamente para dar ciência formal a todas as partes sobre a chegada da nova magistrada ao comando das investigações.

A movimentação jurídica cai como uma bomba nos bastidores políticos locais, acontecendo em meio às articulações de Wilson Lima na liderança da Federação União Progressistas (União Brasil e Progressistas) para as eleições deste ano.

A ação, de autoria do Ministério Público Federal (MPF), apura supostos crimes e irregularidades em contratações da Secretaria de Estado de Saúde (Susam) durante a pandemia de Covid-19, em 2020.

Além do ex-governador, a notificação para tomar ciência da nova relatoria atinge outros réus de peso no tabuleiro político e empresarial do estado, incluindo o ex-vice-governador Carlos Alberto Souza de Almeida Filho; o ex-secretário de Saúde, Rodrigo Tobias de Sousa Lima; ex-servidores da pasta e empresários locais.

Com a troca de comando no STJ, as bancas de defesa agora calibram suas estratégias para o perfil de julgamento da ministra Nancy Andrighi, conhecida por sua atuação firme na corte superior.

Raio-X da Ação Penal nº 993: O caso dos respiradores

As Acusações Contra Wilson Lima:

O Ministério Público Federal (MPF) imputa ao ex-governador e pré-candidato ao Senado uma série de crimes graves na condução da saúde do Amazonas:

  • Fraude e dispensa irregular de licitação;
  • Peculato (desvio de dinheiro público);
  • Liderança em organização criminosa;
  • Embaraço às investigações:

O que pesou contra Wilson Lima ─ Segundo a denúncia do MPF, foram encontrados documentos no gabinete de Wilson Lima com preços e nomes de empresas interessadas, o que demonstrou que ele acompanhava de perto o processo. O ministro Francisco Falcão apontou na época que o ex-governador interferiu diretamente, atuando com liderança sobre o esquema.

O rombo e os “respiradores de vinho”

  • O prejuízo: Mais de R$ 2 milhões desviados dos cofres públicos.
  • O superfaturamento: O governo comprou 28 respiradores por mais de R$ 100 mil cada, quando o preço de mercado na época era de aproximadamente R$ 17 mil.
  • Incompetência técnica: Os equipamentos foram adquiridos com a intermediação de uma loja de vinhos, sem qualquer competência na área médica. Além disso, os aparelhos sequer tinham capacidade técnica para atender pacientes graves de Covid-19.

 Linha do tempo e desdobramentos jurídicos:

  • 2020 (início do caso): A investigação é iniciada e a ação penal fica sob a relatoria do ministro Francisco Falcão, onde permaneceu por mais de cinco anos.
  • 2021 (a denúncia é aceita): De forma unânime, a Corte Especial do STJ acolhe a denúncia do MPF e torna réus o governador Wilson Lima, o então vice-governador Carlos Almeida e outras 12 pessoas (incluindo ex-secretários e empresários). Na mesma ocasião, as acusações contra a ex-secretária de Saúde Simone Papaiz e o servidor Flávio Cordeiro foram rejeitadas por falta de provas.
  • Fevereiro de 2025 (vitória parcial): A Corte Especial do STJ rejeita, por 8 votos a 3, uma denúncia separada por peculato que envolvia o transporte aéreo dos respiradores, alegando falta de justa causa.
  • Junho de 2026 (mudança de comando): Por meio de sorteio interno, o processo sai das mãos de Francisco Falcão e é redistribuído para a ministra Nancy Andrighi, que assume a relatoria principal da AP 993 em meio ao ano eleitoral.

Veja a decisão:

Internautas detonam Wilson Lima após vídeo sobre a BR-319: “Papo furado”  

Da Redação

 

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