
Manaus (AM) ─ O clima de insatisfação e a lentidão da Câmara Municipal de Manaus (CMM) em relação ao caso do vereador Rosinaldo Bual (Agir), preso há exato um mês por suspeita de envolvimento em um esquema de “rachadinha”, atingiram um novo nível de provocação.
Nesta segunda-feira (03/11), o vereador Rodrigo Guedes (Progressistas) promoveu um ato inusitado no plenário: ele levou uma caixa de pizza e a exibiu diante da Mesa Diretora para cobrar publicamente o andamento do pedido de cassação. O momento, capturado por fotógrafos, simbolizou a frustração com o timing da Casa.
O gesto com a pizza foi uma provocação direta ao presidente da CMM, David Reis (Avante), e à Mesa Diretora, alertando para o risco de o caso ser “jogado para debaixo do tapete”.
─ Essa pizza é pra lembrar que não podemos deixar o caso Bual terminar em pizza. A Câmara precisa cumprir a lei e votar o pedido de cassação -, declarou Guedes, utilizando a expressão popular para “impunidade”.
O parlamentar enfatizou que o Regimento Interno (Artigo 243) determina que a denúncia de cassação seja colocada em votação na sessão seguinte ao seu protocolo.
O pedido, apresentado pelo Comitê Amazonas de Combate à Corrupção três dias após a prisão de Bual (ocorrida em 3 de outubro na Operação Face Oculta do GAECO), completa um mês sem ter sequer sua admissibilidade votada.
─ Não é pra condenar, é pra cumprir o Regimento e respeitar o contribuinte -, insistiu Guedes, lembrando que a votação inicial apenas decide se o processo de cassação será, de fato, aberto para investigação interna.
Defesa da presunção de inocência ─ Apesar da forte pressão e do ato simbólico, o mandato de Rosinaldo Bual não corre risco imediato, pois a Mesa Diretora tem se mantido cautelosa.
O presidente David Reis reiterou que o Legislativo “não fará julgamento subjetivo” e que o Regimento será seguido. Reis defendeu a presunção de inocência, destacando que o colega “nem indiciado foi”, sinalizando que a lentidão da Casa visa evitar atropelos jurídicos e garantir o direito de defesa do parlamentar.
A inusitada cobrança com a pizza no plenário, no entanto, coloca a CMM em uma situação delicada, confrontando a necessidade de respeito ao devido processo legal com a exigência popular por uma resposta célere diante de um grave escândalo de corrupção envolvendo a “rachadinha”.
Da Redação







