Início Amazonas Amazonas registra alta nos casos de feminicídio em 2026, aponta Ministério da...

Amazonas registra alta nos casos de feminicídio em 2026, aponta Ministério da Justiça  

Em âmbito nacional, o recuo nos assassinatos foi puxado principalmente pelo terceiro trimestre ─ FOTO: Reprodução  

 

Manaus (AM) ─ O Amazonas integra o grupo de 11 estados brasileiros que registraram aumento nos casos de feminicídio entre janeiro e setembro de 2026. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, o Brasil contabilizou 1.082 mulheres assassinadas por razões de gênero nos primeiros nove meses do ano — uma redução de 4,5% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram notificadas 1.133 vítimas.

No entanto, enquanto os assassinatos recuaram no acumulado do país, as tentativas de feminicídio subiram 10,4% no mesmo intervalo, alcançando 3.350 ocorrências e fixando uma média alarmante de 12 tentativas diárias do crime.

A alta no Amazonas acompanha o avanço dos indicadores em estados como Amapá, Sergipe, Goiás, Bahia, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro.

Em âmbito nacional, o recuo nos assassinatos foi puxado principalmente pelo terceiro trimestre, que teve 338 feminicídios registrados frente aos 365 do mesmo intervalo do ano anterior (queda de 7,4%), dando continuidade à redução de 14,7% observada entre abril e junho.

Quatro mortes por dia ─ No entanto, o início do ano havia sido marcado por um salto de 9,1% nos primeiros três meses de 2026. Em média, quatro mulheres continuam sendo mortas por dia no Brasil em contextos de violência doméstica, familiar ou motivadas por discriminação à condição feminina.

Especialistas alertam que a oscilação nos números exige cautela na análise, uma vez que o patamar de mortes permanece elevado e a série histórica mostra crescimento expressivo nas tentativas de assassinato desde 2022, quando o indicador ultrapassou a marca de 2 mil casos por ano.

Machismo estrutural como causa central ─ Parte da alta nos registros ao longo dos últimos anos é explicada pela maior precisão das forças policiais e do sistema de Justiça na identificação e tipificação correta do crime, evitando que mortes de mulheres sejam enquadradas apenas como homicídios comuns.

Pesquisadores reforçam que a persistência do machismo estrutural e da violência de gênero permanecem como causas centrais para a perpetuação do problema. Para combater a impunidade, a legislação brasileira sofreu endurecimentos significativos.

Aprovada em 2015 como qualificadora do homicídio, a tipificação do feminicídio foi alterada em 2024 para se tornar um crime autônomo no Código Penal, com penas base que variam de 20 a 40 anos de reclusão — podendo alcançar até 60 anos de prisão caso existam circunstâncias agravantes.

No campo das políticas públicas, o governo federal lançou este ano o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio para reforçar a rede de proteção e integrar o atendimento às vítimas por meio do novo Centro Integrado Mulher Segura.

Paralelamente, o Ministério da Justiça coordena a Operação Mulher Segura em conjunto com as polícias civis e militares dos estados. Em 141 dias de execução contínua, a ação policial já resultou na prisão de 57.790 suspeitos de violência contra a mulher em todo o país, sendo 49.129 autuados em flagrante e 8.661 detidos por mandados judiciais.

Justiça condena homem a 21 anos por feminicídio na Manaus Moderna  

Da Redação, com informações da assessoria de imprensa

Artigo anteriorJustiça Eleitoral suspende Lei Seca em Manaus para o segundo turno  
Próximo artigoJustiça garante pagamento de aposentados da CMM em outubro e enquadra gestão David Reis