
Manaus (AM) ─ A disputa política em torno da buraqueira que castiga as ruas de Manaus subiu de temperatura, transformando a manutenção viária no principal campo de batalha entre o governador Roberto Cidade (União Brasil) e o prefeito Renato Júnior (Avante).
O que deveria ser uma operação técnica de infraestrutura tornou-se um racha institucional, com troca de acusações que expõem a fragilidade da relação entre o Palácio da Compensa e a sede do Executivo municipal.
De um lado, o governador Roberto Cidade adota uma postura de austeridade administrativa. Em declarações recentes, Cidade foi enfático ao afirmar que a responsabilidade pela conservação das vias urbanas é, por lei e por orçamento, da Prefeitura de Manaus.
Para o governador, as tentativas de Renato Júnior em buscar auxílio estadual para o “tapa-buracos” nada mais são do que uma estratégia política para transferir o desgaste de um problema crônico da cidade para os ombros do Governo do Amazonas.
Roberto Cidade reforça que cada gestor deve assumir o ônus e o bônus de sua competência, sugerindo que o município possui repasses suficientes para dar conta da demanda sem “terceirizar” a obrigação.
A resposta do prefeito ─ A resposta do prefeito Renato Júnior, no entanto, veio carregada de um apelo emocional e econômico que mira diretamente o eleitorado. Ao rebater as críticas, o prefeito buscou despersonalizar a disputa, afirmando que o pedido de união não é um socorro financeiro para a sua gestão, mas um retorno justo para os mais de dois milhões de habitantes da capital.
─ Manaus já deu muito para o Estado -, pontuou o prefeito, argumentando que a arrecadação da capital é o motor que sustenta o Amazonas e que, por isso, o investimento em infraestrutura urbana deveria ser uma via de mão dupla.
Renato Júnior ainda disparou contra o que chamou de “vaidade política”, afirmando que não pretende se apequenar diante de picuinhas partidárias enquanto o período chuvoso acelera a degradação do asfalto e coloca em risco a segurança de motoristas e pedestres.
O argumento da prefeitura é de que a capital precisa de um reforço estrutural imediato para vencer o rigor do inverno amazônico, e que tratar isso como uma “obrigação isolada” é ignorar a interdependência entre cidade e estado.
No centro desse fogo cruzado, o cidadão manauara assiste ao impasse enquanto desvia de crateras.
O padrão de confronto adotado por ambos os líderes indica que, antes de qualquer solução asfáltica definitiva, Manaus terá de enfrentar um longo período de desgaste diplomático, onde o asfalto é apenas o pretexto para uma medição de forças que promete ditar o ritmo do debate público nos próximos meses.
Da Redação







