
Manaus (AM) ─ A decisão da Justiça Federal de suspender as licitações para a pavimentação do “trecho do meio” da BR-319 tomou conta de parte da sessão da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal nesta terça-feira (28/04), após o senador Eduardo Braga (MDB/AM) expor a estrutura financeira internacional que sustenta as ONGs responsáveis por travar a rodovia.
O discurso do parlamentar amazonense, que detalhou repasses superiores a R$ 771 milhões de fundações estrangeiras para o Observatório do Clima, acendeu um rastilho de pólvora entre parlamentares de diferentes espectros políticos.
O senador Omar Aziz (PSD/AM) endossou a revolta, classificando a nova suspensão como um “crime contra o povo do Amazonas”. Para Aziz, a judicialização constante ignora as crises humanitárias enfrentadas pela região, como o isolamento durante a pandemia e as secas severas que castigam o abastecimento do estado.
Presidente da CAE, o senador Renan Calheiros (MDB/AL) manifestou surpresa e preocupação com o volume de recursos externos envolvidos na obstrução de projetos estratégicos nacionais.
Calheiros destacou que o desenvolvimento econômico da Amazônia não pode ser refém de decisões monocráticas que atropelam a soberania do Congresso Nacional e leis já aprovadas pela Casa.
No mesmo tom, o senador Alessandro Vieira (MDB/SE) pontuou a necessidade de maior transparência e rigor sobre a atuação dessas organizações, defendendo que o debate ambiental não deve ser usado como pretexto para o imobilismo logístico.
A bancada do agronegócio e do Sul/Sudeste também reagiu. A senadora Tereza Cristina (PP/MS), ex-ministra da Agricultura, demonstrou estupefação com os dados apresentados e reforçou que a BR-319 é vital para a segurança alimentar e integração do país, não podendo ser tratada como uma questão meramente local.
Já o senador Esperidião Amin (PP/SC) elevou o tom contra o que chamou de “interferência externa disfarçada de preservação”, apontando que a suspensão da licitação ignora os avanços tecnológicos de monitoramento e pavimentação sustentável apresentados pelo Ministério dos Transportes.
A repercussão na CAE sinaliza que o embate pela BR-319 deixou de ser uma pauta exclusiva do Norte para se tornar uma questão de soberania nacional no Senado.
O sentimento de “basta” uniu senadores na defesa de uma reação imediata da Advocacia-Geral da União (AGU), sob o aviso de que o Parlamento não aceitará passivamente que capitais bilionários de outros países ditem o nível de isolamento e pobreza de milhões de brasileiros na Amazônia.
Veja o discurso:
Da Redação







