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PGR analisa extradição de peruano que matou policiais federais no Amazonas  

Isaac Gady Vasquez foi condenado junto com Edgar Amaringo Lonas, Roberto Antonio Fasanando, o “Nego” ─ FOTO: Reprodução

 

Manaus (AM) ─ A Procuradoria-Geral da República (PGR) analisa o pedido do governo do Peru de extradição do narcotraficante peruano, Isaac Gady Vásquez Tamani, 43 anos, condenado pela Justiça Federal do Amazonas pelo assassinato dos policiais federais Mauro Lobo e Leonardo Matzunaga Yamaguti, ocorrido em 2010, no município de Anamã (distante 364 quilômetros de Manaus).

O envio dos autos à PGR foi determinado em despacho recente pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), fixando o prazo de 10 dias para a emissão do parecer definitivo do órgão.

Além de ser procurado pelo país vizinho pela suposta prática do crime de abuso sexual de menor, o estrangeiro cumpre uma pena histórica de 90 anos de reclusão no Amazonas por envolvimento na execução dos dois agentes e na tentativa de homicídio de outros dois policiais durante aquele violento confronto.

A movimentação ocorre logo após a defesa do narcotraficante apresentar uma resposta escrita à Suprema Corte solicitando o indeferimento total do pedido de extradição formulado pelo Governo do Peru, em uma tentativa jurídica de evitar que ele seja enviado de volta ao seu país de origem antes de saldar as contas com o Estado brasileiro.

O risco da impunidade internacional ─ A possibilidade de o STF deferir o pedido do governo peruano acende um forte sinal de alerta e profunda preocupação nos bastidores da segurança pública e da Justiça Federal no Amazonas.

O temor central de delegados e agentes é que o envio de Isaac Tamani para o Peru resulte em uma espécie de impunidade prática pelos assassinatos cometidos no Brasil.

Uma vez extraditado, o criminoso responderia inicialmente pelo crime de abuso contra menor em seu país natal, criando o risco jurídico de que ele jamais retorne ao solo brasileiro para cumprir a sua pena de quase um século de reclusão pelo atentado de sangue contra as forças federais.

Isaac Tamani é considerado um criminoso de altíssima periculosidade e foi capturado na época em uma grande operação na floresta amazônica. Ele foi localizado na comunidade Boca do Cuia graças à denúncia e ajuda crucial de ribeirinhos locais, que indicaram o paradeiro do suspeito.

Preso com “Javier” ─ O estrangeiro foi preso junto com o temido narcotraficante Jair Ardela Michue, conhecido pela alcunha de “Javier”, chefe da quadrilha internacional de drogas responsável direta por orquestrar o ataque contra a equipe da PF. No momento da captura, os agentes federais apreenderam fuzis, carregadores e farta munição que estavam enterrados na selva.

O peruano acabou condenado em um julgamento histórico presidido pela juíza Ana Paula Serizawa Silva Podedworny na sede da Justiça Federal em Manaus. Sob a ação penal 3180-76.2011.4.01.3200, ele recebeu 90 anos de reclusão em regime inicialmente fechado, a maior pena aplicada ao grupo ao lado do comparsa Edgar Amaringo Lomas.

O interrogatório oficial do processo internacional foi conduzido recentemente pela 4ª Vara Federal Criminal do Amazonas, e agora o destino do criminoso está nas mãos do STF e da PGR, que precisarão pesar o risco de a extradição esvaziar a punição histórica imposta pela Justiça amazonense à maior afronta sofrida pela Polícia Federal na região.

Veja a decisão:

Da Redação

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