Início Opinião Lúcio Carril   Para entender o PT

  Para entender o PT

Lúcio Carril é Sociólogo e colaborador do portal Amazonas365

 

Por Lúcio Carril*

 

Manaus (AM) ─ O PT é tão conhecido no Brasil quanto a Amazônia. Pesquisas revelam que é o partido com maior simpatia da população. Mesmo quem não gosta do PT, tem ele na boca.

O PT não é um partido de definição ideológica, como foram os partidos comunistas ou como são algumas correntes trotskistas. O PT é um partido classista. Ele tem um lado de classe. Mas considera que essa classe social é heterogênea na sua composição.

O PT é uma experiência política singular no mundo e no campo teórico tem base em pensadores europeus clássicos, ao fazer unidade na diversidade.

Mesmo nos partidos comunistas no mundo havia conflito de concepção e construção partidária. O Partido Comunista Italiano, por exemplo, foi palco de profundos debates sobre o que ficou conhecido como eurocomunismo.

O PT não é um santuário ideológico ou político. É um partido da diversidade, com militantes e dirigentes de linha liberal, social-democrata, trotskista, comunista, neoliberal e de outras correntes que engrossam o caldo democrático  da sociedade.

Agora, o indivíduo não tem unidade ou unanimidade na própria família dele e vem defender um partido maçônico, com rituais e doutrina seguidos deliberadamente.

Quem não gostar de determinada conduta política de dirigente ou militante petista, que venha para o debate interno, pois é nesse debate que o PT constrói sua unidade programática e de ação.

O PT governa o Brasil pela quinta vez. Ou seja, é uma experiência que já deu certo. Não é uma aventura ou um movimento. É uma organização do campo da esquerda que ousou se construir na pluralidade e foi abraçado pelo povo brasileiro. Nunca antes uma agremiação de esquerda tinha governado o país.

No PT não tem centralismo democrático. Não é essa a constituição organizativa do partido. Mas quando os partidos comunistas se organizaram nesse princípio, o do centralismo democrático, indivíduos também condenavam o modelo. Ora, o que existe é muita gente querendo posar de puro, enquanto coça o pé na frente do computador.

Sobre as tendências que fertilizam o PT, não são problemas. São riqueza política e exemplo de democracia. São esses grupos de pensamento que enxertam a vida partidária. Não existe nenhum partido com tanta pluralidade de ideias.

Sobre condutas políticas de petistas, há profunda discussão interna e estão no campo da democracia do partido. Tem militante e dirigente mais à esquerda e tem gente que não faz o combate ideológico, mas tem uma clara militância de classe, em favor dos trabalhadores, do povo do interior, das minorias sociais, da cultura, etc.

É assim o PT. Unidade sim, mas na diversidade e não no autoritarismo.

*Lúcio Carril é Sociólogo e colaborador do portal Amazonas365

Artigo anteriorIrã anuncia retorno da internet após quase 90 dias de isolamento na guerra
Próximo artigoPapa Leão XIV alerta para perigos da Inteligência Artificial em sua primeira encíclica