
Por Lúcio Carril*
Manaus (AM) ─ O PT é tão conhecido no Brasil quanto a Amazônia. Pesquisas revelam que é o partido com maior simpatia da população. Mesmo quem não gosta do PT, tem ele na boca.
O PT não é um partido de definição ideológica, como foram os partidos comunistas ou como são algumas correntes trotskistas. O PT é um partido classista. Ele tem um lado de classe. Mas considera que essa classe social é heterogênea na sua composição.
O PT é uma experiência política singular no mundo e no campo teórico tem base em pensadores europeus clássicos, ao fazer unidade na diversidade.
Mesmo nos partidos comunistas no mundo havia conflito de concepção e construção partidária. O Partido Comunista Italiano, por exemplo, foi palco de profundos debates sobre o que ficou conhecido como eurocomunismo.
O PT não é um santuário ideológico ou político. É um partido da diversidade, com militantes e dirigentes de linha liberal, social-democrata, trotskista, comunista, neoliberal e de outras correntes que engrossam o caldo democrático da sociedade.
Agora, o indivíduo não tem unidade ou unanimidade na própria família dele e vem defender um partido maçônico, com rituais e doutrina seguidos deliberadamente.
Quem não gostar de determinada conduta política de dirigente ou militante petista, que venha para o debate interno, pois é nesse debate que o PT constrói sua unidade programática e de ação.
O PT governa o Brasil pela quinta vez. Ou seja, é uma experiência que já deu certo. Não é uma aventura ou um movimento. É uma organização do campo da esquerda que ousou se construir na pluralidade e foi abraçado pelo povo brasileiro. Nunca antes uma agremiação de esquerda tinha governado o país.
No PT não tem centralismo democrático. Não é essa a constituição organizativa do partido. Mas quando os partidos comunistas se organizaram nesse princípio, o do centralismo democrático, indivíduos também condenavam o modelo. Ora, o que existe é muita gente querendo posar de puro, enquanto coça o pé na frente do computador.
Sobre as tendências que fertilizam o PT, não são problemas. São riqueza política e exemplo de democracia. São esses grupos de pensamento que enxertam a vida partidária. Não existe nenhum partido com tanta pluralidade de ideias.
Sobre condutas políticas de petistas, há profunda discussão interna e estão no campo da democracia do partido. Tem militante e dirigente mais à esquerda e tem gente que não faz o combate ideológico, mas tem uma clara militância de classe, em favor dos trabalhadores, do povo do interior, das minorias sociais, da cultura, etc.
É assim o PT. Unidade sim, mas na diversidade e não no autoritarismo.
*Lúcio Carril é Sociólogo e colaborador do portal Amazonas365







