
Manaus (AM) — O Papa Leão XIV apresentou sua primeira encíclica, Magnifica humanitas, focada na custódia da pessoa humana na era da Inteligência Artificial (IA). O documento de cerca de 200 páginas, fruto de dez anos de reflexões da Santa Sé, traça um paralelo histórico com a encíclica Rerum Novarum (1891), de Leão XIII.
Se no século XIX a Igreja respondeu aos desafios da Revolução Industrial, hoje ela se posiciona contra os impactos e perigos da revolução tecnológica.
No texto, o Papa alerta de forma deliberada que a IA precisa ser libertada das lógicas de dominação, exclusão, preconceito e morte.
O Pontífice demonstra profunda preocupação com o uso dessas ferramentas em sistemas de armas autônomos e em algoritmos que limitam o acesso a direitos básicos, como saúde, trabalho e segurança.
O documento defende que, assim como a energia nuclear, a IA deve ser guiada pela consciência e responsabilidade, servindo à paz, à justiça e a toda a humanidade, e não apenas a uma minoria privilegiada.
Segundo o Vaticano, a encíclica baseou-se na escuta de cientistas, engenheiros, líderes políticos, educadores e, fundamentalmente, nas populações marginalizadas.
Citando sua experiência missionária no Peru, Leão XIV destaca que mitigar os impactos da tecnologia exige reconstruir laços, desenhando o futuro em conjunto entre quem cria os sistemas e quem sofre suas consequências, unindo países ricos e pobres.
O Papa afirma que a Igreja não possui respostas técnicas e nem deseja substituir os especialistas, mas oferece uma sabedoria sobre o humano, defendendo que cada pessoa é única, livre e insubstituível.
Diante disso, convoca a humanidade a se unir como “artesãos da esperança” para construir uma sociedade mais fraternal e justa. No mesmo documento, Leão XIV também pediu perdão pelo longo atraso da Igreja Católica em condenar a escravidão, classificando-a como uma ferida na memória cristã.
A publicação marca o primeiro grande posicionamento doutrinário do novo pontificado, sucedendo o Papa Francisco, que governou entre 2013 e 2025 e publicou quatro encíclicas dedicadas a temas como ecologia, crise ambiental, justiça social e fraternidade.
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Da Redação, com informações de agências internacionais







