
Manaus (AM) ─ Ao classificar a trágica e escandalosa compra dos respiradores como a “maior fake news da política amazonense”, o ex-governador Wilson Lima não apenas tenta reescrever um dos capítulos mais sombrios da história do Amazonas, mas reabre de forma dolorosa uma ferida profunda que o tempo e a lentidão da Justiça custavam a cicatrizar.
No pronunciamento veiculado em suas redes sociais, o atual candidato ao Senado adotou um tom de desabafo que soa como um grave insulto à memória das mais de 14 mil vítimas fatais e mais de 636 casos da Covid-19 no Estado e ao sofrimento de milhares de famílias que vivenciaram o colapso sanitário de perto.
A narrativa de autopromoção e vitimização, ancorada na máxima “errei, acertei, mas nunca me acovardei”, esbarra na gravidade irrefutável dos fatos apurados e mantidos no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Ao tentar rebaixar a aquisição emergencial dos equipamentos à pecha de mera perseguição política ou desinformação de opositores, o ex-gestor ignora intencionalmente o cerne das investigações da Operação Sangria, da Polícia Federal, e a denúncia do Ministério Público Federal.
O que ele chama de “fake news” é, na verdade, uma Ação Penal formal (AP 993) na qual figura como réu por suposto superfaturamento de R$ 2 milhões e fraudes licitatórias na compra de ventiladores pulmonares inadequados para o tratamento intensivo no auge da pandemia.
O discurso do candidato foca na argumentação formal de que a fornecedora era uma importadora e que o nome “Vineria Adega” não passava de um detalhe explorado pela oposição, mas silencia sobre o ponto central que indigna a opinião pública: as vidas perdidas enquanto a máquina pública se atolava em escândalos, prisões temporárias de ex-secretários de Saúde e suspeitas de desvios operados dentro do próprio governo.
Sensação de impunidade d desrespeito ─ Ao minimizar os desdobramentos judiciais e alegar que o julgamento do STJ trata apenas de recursos defensivos sobre ritos processuais, Wilson Lima reforça a sensação de impunidade e desrespeito com a sociedade amazonense.
Longe de pacificar o debate ou esclarecer a população, a tentativa de polir a própria imagem e mitigar o passado recente serve apenas para ressuscitar os fantasmas de uma gestão marcada por crises dramáticas e escândalos na saúde.
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O pragmatismo eleitoral não tem o condão de apagar a indignação coletiva nem de anestesiar a rejeição popular.
Ao invés de apresentar explicações convincentes sobre o destino dos recursos públicos e sobre a conduta dos altos quadros de sua gestão, o ex-governador optou pela retórica do confronto, provando que o fantasma da pandemia continuará a assombrar a sua caminhada rumo ao Senado e a exigir uma resposta que as redes sociais não são capazes de dar.
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Da Redação










