
Manaus (AM) ─ As urnas deste domingo (04/10) decretaram o sepultamento político do ex-governador Wilson Lima (União Brasil). Candidato ao Senado Federal, o ex-apresentador de TV amargou uma humilhante quarta colocação na corrida eleitoral, somando pouco mais de 403 mil votos (com 91,86% das urnas apuradas) — um desempenho considerado pífio para quem comandou a máquina pública estadual por quase oito anos e dispunha de uma ampla estrutura partidária.
O colapso eleitoral de Lima não apenas inviabiliza sua continuidade na vida pública, como também o consolida, dentro do próprio grupo político, como o principal fiador da derrota do atual governador e candidato à reeleição, Roberto Cidade (União).
O resultado melancólico refletiu o desgaste acumulado ao longo de dois mandatos marcados pela ineficiência e por graves episódios em áreas essenciais.
Na saúde, a gestão de Wilson Lima ficou estigmatizada pela tragédia da falta de oxigênio durante a pandemia e pelas filas incessantes para exames e cirurgias.
Na segurança pública, o Amazonas viu a escalada sem controle do crime organizado no interior e na capital, enquanto a educação sofreu com denúncias recorrentes de sucateamento, atrasos em pagamentos e descontinuidade de programas básicos.
O eleitorado também cobrou o fatura fiscal e moral de uma administração sufocada por operações da Polícia Federal. Wilson Lima tornou-se réu no Superior Tribunal de Justiça (STJ) sob a acusação de liderar uma organização criminosa voltada ao direcionamento de licitações e ao superfaturamento de respiradores pulmonares comprados de uma distribuidora de vinhos no auge da crise sanitária.
As repetidas ações federais sobre o primeiro escalão do governo corroeram a credibilidade do ex-governador e transformaram sua imagem em um ativo tóxico para qualquer composição partidária.
A transferência de rejeição foi fatal para a campanha de Roberto Cidade. Ao se associar umbilicalmente à imagem e à máquina gerida por Wilson Lima, o candidato ao governo absorveu o ressentimento da população e naufragou nas urnas, sofrendo uma dura derrota na tentativa de manutenção do grupo no poder.
Apontado por aliados como o maior responsável por puxar a chapa para baixo, Lima encerra o pleito isolado politicamente e sem perspectiva real de reestruturação para disputas futuras.
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Da Redação







