
Manaus (AM) – A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta sexta-feira (06/03), a Operação Sine Consensu, com o objetivo de desarticular um esquema de corrupção e gestão temerária que comprometeu aproximadamente R$ 390 milhões dos cofres da Amazonprev.
As investigações apontam que a cúpula da instituição direcionou recursos do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) para ativos de alto risco, especificamente Letras Financeiras de bancos privados como Master, C6 Consignado, BTG Pactual e Daycoval, operando à margem das normas de governança e sem o respaldo técnico do Comitê de Investimentos.
O foco central da força-tarefa é a aplicação de R$ 50 milhões em títulos do Banco Master, instituição controlada pelo empresário Daniel Vorcaro, preso preventivamente na última quarta-feira (04/03) em São Paulo, acusado de chefiar uma organização criminosa envolvida em fraudes bilionárias e intimidação de autoridades.
No Amazonas, a PF identificou que as aplicações ocorreram entre junho e setembro de 2024, utilizando corretoras como Terra Investimentos e Mirae Asset sem critérios objetivos de escolha, visando beneficiar o grupo financeiro em troca de possíveis vantagens indevidas a servidores públicos.
Por determinação da Justiça Federal, três nomes do alto escalão foram atingidos diretamente: André Luis Bentes de Souza (ex-diretor de Previdência), Claudinei Soares (ex-gestor de recursos) e Cláudio Marins de Melo (diretor de Administração e Finanças).
Dois deles foram afastados de suas funções públicas nesta sexta-feira. A auditoria do Ministério da Previdência Social, que apoia a operação, revelou que parte dos investimentos foi feita sem aprovação formal e em instituições não credenciadas, expondo o fundo a ativos que não possuem a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Em nota oficial, a Amazonprev afirmou que os servidores citados foram afastados e que o terceiro envolvido já não integrava o quadro desde 2024. A fundação buscou tranquilizar os segurados, declarando que o pagamento de benefícios não está em risco imediato devido ao superávit atuarial de R$ 1,7 bilhão da autarquia.
Contudo, a PF reforça que a gestão temerária desses recursos atinge diretamente a segurança alimentar dos aposentados e pensionistas a longo prazo.
Da Redação







