Início Amazonas CNJ afasta três juízes do Amazonas por indícios de favorecimento

CNJ afasta três juízes do Amazonas por indícios de favorecimento

A decisão do corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell determina o afastamento cautelar por 120 dias ─ FOTO: Lucas Pricken/STJ

 

Manaus (AM) ─ O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou a instauração de reclamações disciplinares e o afastamento cautelar, por 120 dias, de três juízes de Manaus: Leoney Figliuolo Harraquian (2ª Vara da Fazenda Pública Estadual), Rosselberto Himenes (7ª Vara Cível e de Acidentes do Trabalho) e Marco Antônio Pinto da Costa (1ª Vara Tributária e da Dívida Ativa Estadual – Vedae).

A decisão assinada pelo corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, aponta quadros graves de ineficiência, morosidade excessiva e indícios de conduta processual desequilibrada em varas estratégicas do Judiciário amazonense.

Com a determinação, os três magistrados ficam impedidos de exercer qualquer função jurisdicional no período, mantidos os subsídios. O CNJ concedeu prazo de cinco dias para que a Presidência e a Corregedoria-Geral de Justiça do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) designem juízes substitutos para assumir as unidades e redistribuir medidas urgentes.

Indícios de favorecimento e quebra de imparcialidade na Vara Tributária ─ No caso do juiz Marco Antônio Pinto da Costa, titular da 1ª Vara Tributária e da Dívida Ativa Estadual (VEDAE), o CNJ destacou que os fatos extrapolam a mera morosidade e sinalizam possível atuação tendenciosa.

A apuração identificou paralisações sistemáticas em execuções fiscais movidas pelo Estado do Amazonas contra a empresa Friller Brasil Alimentos Ltda., cujos pedidos de penhora online da Fazenda Pública permaneceram sem análise ou cumprimento por prazos de 9 a mais de 13 anos.

Além disso, a Corregedoria apontou irregularidade no Processo nº 0423736-88.2023.8.04.0001, no qual o magistrado conheceu de um atípico “pedido de reconsideração” para reformar a sentença de mérito proferida por outra juíza da mesma vara em favor da empresa Mercantil Nova Era Ltda.

O CNJ ressaltou que a medida alterou o resultado de uma decisão já publicada e apelada pelo Estado, configurando indício de usurpação de competência e quebra do dever de imparcialidade.

Acervos paralisados e processos sem desfecho há 15 anos ─ Nas outras duas unidades correicionadas, os relatórios apontaram retidao crítica de processos e falhas de gestão:

  • 7ª Vara Cível (Rosselberto Himenes): Registrou explosão de 30% no acervo em doze meses, incongruências estatísticas e 81 liminares paralisadas há mais de 30 dias. Exame de amostragem revelou processos tramitando há mais de uma década sem sentença, como uma ação de usucapião de 2011 (Processo nº 0202249-66.2011.8.04.0001) com 31 conclusões ao juízo e sem desfecho definitivo após 15 anos.
  • 2ª Vara da Fazenda Pública (Leoney Figliuolo Harraquian): Apresentou acúmulo de processos conclusos e retardamento em ações de improbidade administrativa movidas pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM). O relatório registrou 18 liminares paralisadas há mais de 30 dias e 18 processos paralisados na secretaria há mais de quatro meses. O magistrado já figura em mais de 40 procedimentos no CNJ.

Devido processo e radiografia das varas ─ O ministro Mauro Campbell Marques ressaltou que o afastamento cautelar tem caráter instrumental para resguardar a efetividade da Justiça e evitar novos prejuízos ao erário e aos jurisdicionados, garantindo o contraditório e a ampla defesa em prazo de 15 dias para os investigados.

O CNJ determinou ainda que o TJAM realize, em até 30 dias, um levantamento completo do acervo de cada uma das três varas, incluindo a listagem dos 100 processos mais antigos pendentes de julgamento e a identificação de riscos de prescrição.

Veja a decisão:

Da Redação

Gabinete de Mauro Campbell conquista prêmio por cumprir metas nacionais de julgamento de processos no STJ  

 

Artigo anteriorHomem confessa ter matado três pessoas com martelo para pagar agiotas  
Próximo artigoVASCO VASQUES | Imagens mostram abandono da principal vitrine de grandes negócios do AM