
São Paulo (SP) – O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cancelou todas as suas agendas públicas para o mês de julho e permanecerá em “repouso absoluto”, conforme comunicado médico divulgado nesta terça-feira (1º/07).
A decisão vem após uma consulta médica de urgência, desencadeada por crises constantes de soluços e vômitos que, segundo nota assinada pelo próprio ex-presidente e divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o impedem inclusive de falar.
Essa é a sétima vez que Bolsonaro é internado desde o episódio da facada em 2018, um histórico que tem marcado sua trajetória política e pessoal nos últimos anos.
Um histórico de internações pós-facada ─ Desde o atentado que sofreu em setembro de 2018, durante a campanha eleitoral, a saúde de Jair Bolsonaro tem exigido atenção constante. A facada resultou em várias cirurgias e internações, com complicações que se estenderam ao longo de seu mandato e após ele.
A internação mais recente, que o leva ao repouso absoluto em julho, ocorre poucos meses após sua sexta e mais longa cirurgia abdominal, realizada em abril deste ano. O procedimento, que durou 12 horas, visava tratar as consequências da facada.
Após essa cirurgia, Bolsonaro permaneceu internado por 21 dias, período que se seguiu a um mal-estar durante uma agenda no interior do Rio Grande do Norte. Dias depois da alta, ele já estava participando de uma manifestação em Brasília, o que levanta questões sobre o ritmo de sua recuperação.
Episódios de mal-estar abdominal e crises de soluços se tornaram frequentes, como o ocorrido na semana passada, durante uma entrevista a uma rádio.
O comunicado atual reflete uma piora em seu quadro de saúde, especialmente após sua participação em uma manifestação na Avenida Paulista no último domingo (29/06).
O ato, em protesto contra o Supremo Tribunal Federal (STF), viu o ex-presidente discursar por 30 minutos em um trio elétrico, sob sol forte, em um evento com o mote “justiça já”.
Impacto na agenda política e no cenário judicial ─ A suspensão da agenda de julho, que incluía compromissos em Santa Catarina e Rondônia, e o cancelamento de sua participação no evento de lançamento do PL60+ no Distrito Federal, atrapalham os planos de Bolsonaro de manter sua base mobilizada.
A decisão médica surge em um momento delicado para o ex-presidente, com a proximidade do julgamento no STF do processo sobre a suposta trama golpista.
O caso entrou na fase decisiva de alegações finais, e a expectativa na Corte é que esteja pronto para ser julgado em setembro. A necessidade de repouso absoluto pode limitar sua capacidade de articulação política em um período crucial.
Da Redação, com informações da FolhaPress







