Início Política Amazonas vai gastar acima da arrecadação e prepara aumento de impostos em...

Amazonas vai gastar acima da arrecadação e prepara aumento de impostos em 2027  

O pré-candidato à reeleição, Roberto Cidade já prevê um déficit gigante; consumidor deve preparar o bolso ─ FOTO: Reprodução

 

Manaus (AM) ─ O Relatório de Riscos Fiscais da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), publicado na edição nº 35.739 do Diário Oficial, revela que o Estado iniciará o ano de 2027 afundado em um déficit de R$ 794,02 milhões. Pelas previsões, o rombo vai mais do que triplicar em relação aos R$ 223,7 milhões previstos para este ano de 2026, representando uma explosão de 254% no saldo negativo.

Os dados oficiais da Secretaria de Fazenda (Sefaz-AM), divulgados pelo portal Correio da Amazônia, mostram que a Receita Total de 2027 está estimada em R$ 36,25 bilhões, enquanto a Despesa Total foi fixada no patamar abusivo de R$ 37,04 bilhões.

De acordo com o levantamento, o orçamento estadual inicia o ano gastando muito mais do que arrecada. O diagnóstico técnico desmorona a narrativa de equilíbrio fiscal da propaganda oficial, justamente no momento em que o governador Roberto Cidade (União) inicia a sua pré-candidatura ao Senado.

Diante desse cenário de colapso, a população sofrerá o impacto direto na prestação dos serviços essenciais. Com a máquina pública operando no limite do cheque especial, não haverá dinheiro para investimentos em setores vitais como saúde, educação e segurança pública.

Sem investimentos em 2027 ─ A escassez de recursos afetará desde a manutenção de hospitais e a compra de medicamentos até a infraestrutura das escolas e o policiamento no interior e na capital, já que a prioridade do caixa será cobrir o rombo e pagar juros.

A expectativa de economistas e analistas de mercado é que, para tentar fechar essa conta e manter a máquina funcionando, o governo se enrole em uma bola de neve de novos empréstimos. Essa dependência de financiamentos bancários deve elevar ainda mais a Dívida Pública Consolidada do Estado, que já está estimada no patamar esmagador de R$ 10,42 bilhões para 2027.

Novos empréstimos como saída ─ Para tentar conter o prejuízo imediato, a equipe econômica planeja um forte arrocho fiscal focado no aumento da arrecadação de impostos, principalmente por meio de uma cobrança mais agressiva do ICMS.

O truque contábil do governo tenta esconder a crise ao ostentar um suposto Resultado Primário positivo de R$ 970,87 milhões, mas o cálculo desconsidera os juros da dívida.

Quando se aplica o indicador real — o Resultado Nominal pelo método abaixo da linha, que mede o dinheiro que efetivamente entra e sai do caixa —, o saldo positivo derrete e vira um deficit de R$ -444,71 milhões, puxado por R$ 1,30 bilhão apenas em juros passivos.

A radiografia orçamentária prova que o dinheiro do contribuinte sustenta uma burocracia ineficiente e pesada. A manutenção da máquina pública, sob a rubrica de Outras Despesas Correntes, vai consumir R$ 19,26 bilhões em 2027, escalando para R$ 19,96 bilhões em 2028.

Além disso, a indústria do calote segue cobrando seu preço, pois o pagamento de Restos a Pagar de anos anteriores vai queimar R$ 678,76 milhões em 2027. Com 34,28% de toda a sua Receita Corrente Líquida (RCL) já comprometida previamente para sustentar juros e pessoal, o governo estadual estrangula a economia local e deixa o cidadão amazonense sem perspectivas de melhorias reais na qualidade de vida.

Veja o trecho do relatório:

Da Redação, com informações do portal Correio da Amazônia

Artigo anteriorBradesco terá de pagar perícia de cliente em Manaus após decisão da Justiça
Próximo artigoJustiça garante isenção de PIS e Cofins para empresas do Simples Nacional na ZFM