
Manaus (AM) ─ A Polícia Federal e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, deflagraram uma operação de urgência na manhã desta quinta-feira (1º/10) dentro da sede da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM) para desarticular um suposto esquema de espionagem política montado para favorecer à reeleição do governador Roberto Cidade e do ex-governador Wilson Lima e candidato ao Senado, ambos do União Brasil.
A ofensiva policial acontece a apenas três dias do pleito de 4 de outubro e cumpre seis mandados de busca e apreensão no prédio da instituição, localizado no bairro Santo Agostinho, na zona Oeste de Manaus.
As investigações apontam que a estrutura de inteligência do Estado teria sido convertida em um aparato clandestino para levantar informações sigilosas e monitorar os passos de adversários políticos, blindando e beneficiando de forma ilegal os palanques de Roberto Cidade e Wilson Lima.
O escândalo atinge em cheio a cúpula da segurança e joga luz sobre a gestão do ex-secretário da pasta, coronel PM Vinícius Almeida, que deixou o cargo para concorrer a uma vaga de deputado estadual pelo Podemos, que integra a Federação União Progressistas, arco de alianças comandado diretamente por Wilson Lima no Amazonas.
O coronel Vinícius Almeida havia sido nomeado para chefiar a SSP-AM em agosto de 2023, logo no início do segundo mandato de Wilson, e acabou mantido na cadeira estratégica pelo governador Roberto Cidade, evidenciando o elo de continuidade e o controle do grupo sobre a máquina pública sob investigação.
Os agentes federais e promotores do Gaeco apreenderam computadores, HDs e documentos internos para rastrear a origem das ordens de monitoramento e identificar os operadores do sistema secreto de inteligência.
A operação segue em andamento nos bastidores da capital, deflagrando a maior crise institucional da temporada eleitoral às vésperas da abertura das urnas.
Veja a nota do MPAM:
NOTA DE ESCLARECIMENTO
O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) esclarece que a medida de busca e apreensão realizada nesta quinta-feira (1º/10), em Manaus, foi requerida pelo Ministério Público Federal (MPF), após o encaminhamento de informações por setores do MPAM, conforme determina a Resolução nº 297/2024 do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).
A atuação do MPAM limitou-se à organização e ao auxílio na execução da operação, realizada pela Polícia Federal, sob a condução do Ministério Público Eleitoral.
Para mais informações, a imprensa deve procurar os órgãos responsáveis pela investigação eleitoral.
Atenciosamente,
Comunicação do MPAM
PF deflagra operação contra grupo do “QG do Crime” em Parintins liderado por Wilson Lima
Da Redação







