
Manaus (AM) – O governador tampão e candidato à reeleição, Roberto Cidade (União Brasil) definiu, na noite desta terça-feira (11/08), o nome do advogado Marco Aurélio Choy como o novo desembargador do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) pela vaga do Quinto Constitucional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-AM).
Durante a votação no Tribunal Pleno, realizada na manhã de terça-feira, a advogada Grace Benayon liderou a preferência dos magistrados ao alcançar 21 votos. Choy figurou na segunda posição da lista com 20 votos, e em terceiro ficou o advogado Carlos Alberto Filho, com 18 votos.
O movimento do Tribunal e do Poder Executivo ocorreu em um processo eleitoral marcado simbolicamente pelo protagonismo e pela maioria feminina, uma vez que a OAB-AM encaminhou originalmente uma lista sêxtupla histórica com paridade de gênero e forte presença de advogadas nas urnas.
A decisão de Roberto Cidade em preterir a candidata mais votada pelo Pleno do TJAM gerou repercussão imediata nos bastidores políticos e jurídicos do Estado.
Pessoas próximas ao próprio governador e interlocutores do meio político avaliam que o critério adotado pelo Executivo não foi bem ponderado, especialmente por expor a falta de empoderamento do protagonismo feminino em sua gestão.
Essa postura se reflete também na articulação eleitoral de Cidade para a disputa ao Governo do Estado: na formação de sua chapa para a reeleição, o governador optou por manter uma composição puramente masculina, escolhendo o seu atual vice, o ex-deputado Serafim Correa (PSB), para concorrer novamente ao mesmo cargo.
O isolamento feminino na chapa e nas decisões de Roberto Cidade contrasta com as alianças consolidadas por seus principais adversários na corrida pelo Palácio da Compensa.
Adversários apostam na força feminina ─ O senador Omar Aziz (PSD) e o ex-prefeito de Manaus David Almeida (Avante) construíram seus palanques concedendo papel de destaque às mulheres, trazendo para a linha de frente de suas composições políticas nomes de forte projeção, como a deputada estadual Alessandra Campelo e a ex-secretária municipal de Saúde, Shádia Fraxe.
Ao fechar as portas para a ascensão da advogada mais votada no TJAM e repetir a exclusão de lideranças femininas na sua chapa majoritária, Roberto Cidade reforça uma linha de atuação que desconsidera a força das mulheres na política e no Poder Judiciário amazonense.
A opção por nomear um candidato do seu círculo de alianças políticas sacramentou uma escolha que deixa em segundo plano a votação histórica de Grace Benayon e a própria representatividade feminina em um momento decisivo para o Amazonas.
TJAM define lista tríplice para vaga de desembargador da classe dos advogados
Da Redação







