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Vice-governador anuncia R$ 18 milhões para encerrar greve de ônibus em Manaus

O vice-governador Serafim Corrêa assumiu a defesa do Governo do Amazonas e anunciou repasse para o Sinetram ─ FOTO: Reprodução

 

Manaus (AM) ─ Em meio ao impasse que paralisou o transporte coletivo da capital, o vice-governador do Amazonas, Serafim Corrêa (PSB), assumiu a linha de frente do Governo do Estado e anunciou o depósito imediato de R$ 18 milhões na conta do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram). O repasse busca estancar a crise e garantir a normalização dos serviços dos rodoviários.

O anúncio de Serafim ocorreu no mesmo dia em que o prefeito de Manaus, Renato Junior (Avante), atribuiu a responsabilidade pela paralisação a uma suposta dívida de R$ 90 milhões do Estado com o Sinetram, referente ao Passe Livre Estudantil.

Diante da ausência do governador Roberto Cidade (União Brasil), em agenda fora do Estado, coube ao vice-governador contestar a versão da Prefeitura e detalhar a posição da gestão estadual.

Entenda o cálculo do impasse e a divergência de valores ─ Segundo Serafim Corrêa, o Estado tenta quitar o débito desde maio, mas esbarra na recusa das empresas em aceitar o cálculo oficial da Procuradoria-Geral do Estado (PGE-AM).

  • A tese das empresas (Sinetram): Exigem que o Estado pague com base na tarifa técnica inteira (R$ 8,00), o que geraria um montante acumulado de R$ 90 milhões desde fevereiro.
  • A posição do Governo do Estado (PGE-AM): Sustenta que o repasse do passe livre deve ter como referência o valor da meia-passagem (R$ 2,50). Com base nesse teto, o débito apurado é de R$ 18 milhões.

─ Determinamos o depósito dos R$ 18 milhões na conta da entidade de classe, valor que o Estado efetivamente reconhece dever, mesmo que os empresários se recusem a receber -, pontuou Serafim Corrêa.

Prefeitura nega débitos e desafia gestão estadual ─ O prefeito Renato Junior garantiu que a Prefeitura de Manaus está rigorosamente em dia com os subsídios do sistema, apresentando comprovantes de depósitos bancários que somam R$ 285 milhões repassados às concessionárias este ano.

O chefe do Executivo municipal desafiou o governador Roberto Cidade a cumprir a decisão judicial sobre a contrapartida estadual do Passe Livre. “Os empresários querem retirar esse direito dos estudantes da rede estadual, mas eles residem e estudam em Manaus. Como prefeito, não vou permitir que isso aconteça”, declarou.

Fogo cruzado no TRT-11 e a sombra do pleito majoritário ─ A crise ganha contornos ainda mais complexos na Justiça do Trabalho. Em ação que tramita no Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11), o Sinetram cobra uma dívida de R$ 190 milhões da própria Prefeitura de Manaus, desmentindo a tese de gestão sem pendências.

Nos bastidores do setor, resta evidenciado que o patronato apoia e incentiva a pressão dos rodoviários como tática para acelerar as negociações financeiras com os cofres públicos.

A eclosão do caos no transporte público ocorre em momento político sensível. Às vésperas da convenção partidária que deve formalizar a pré-candidatura do ex-prefeito David Almeida (Avante) ao Governo do Amazonas, o desgaste causado pelo fantasma da greve lança incertezas sobre os rumos do debate eleitoral na capital.

GREVE DE ÔNIBUS | Prefeito acusa Roberto Cidade e Wilson Lima de calote no Passe Livre Estudantil  

Da Redação

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