
Manaus (AM) — Em uma demonstração de força que travou as principais vias de Manaus, incluindo o trecho que liga a capital as zonas Leste e Norte, nesta terça-feira (14/04), a mobilização nacional dos motoristas e motociclistas de aplicativo conquistou sua primeira grande vitória política.
Sob forte pressão das carreatas que tomaram as ruas amazonense e de outras grandes cidades do país, a Câmara dos Deputados recuou e retirou de pauta o Projeto de Lei Complementar (PLP) 152/2025, que seria votado hoje por uma comissão especial.
O adiamento estratégico foi solicitado diretamente ao presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), após o movimento ganhar dimensões críticas.
Em Manaus, centenas de trabalhadores concentraram-se na avenida das Torres e seguiram em protesto rumo à Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).
Atualmente, a capital concentra cerca de 65 mil profissionais atuando em plataformas de transporte e delivery, uma massa de trabalhadores que alega que o texto atual da proposta inviabiliza a atividade ao ignorar os custos reais de manutenção e combustível.
O impasse da regulamentação ─ A principal queixa da categoria recai sobre o modelo de remuneração e a falta de teto para as taxas cobradas pelas empresas, que hoje chegam a abocanhar 45% do valor das corridas.
O PLP 152/2025 é criticado por focar no pagamento por tempo de serviço em detrimento da quilometragem, o que, na prática, reduziria os ganhos líquidos dos motoristas e moto-entregadores.
Com a retirada da proposta de pauta, os manifestantes agora exigem a abertura de audiências públicas regionais para garantir que as particularidades logísticas da Amazônia sejam consideradas.
Para as lideranças do movimento, o recuo em Brasília prova que a categoria está organizada e não aceitará uma regulamentação que priorize o lucro das plataformas em prejuízo da sobrevivência financeira de quem está no volante e no guidão.
Da Redação







