
Manaus (AM) – O governador Roberto Cidade (União Brasil) conseguiu, nesta semana, aprofundar uma crise institucional com os policiais civis do Amazonas aberta pelo seu antecessor, o ex-governador Wilson Lima (UB) — pré-candidato ao Senado nas eleições deste ano ─, ao sancionar a Lei nº 8.440, de 1º de julho de 2026.
A medida, chamada nos bastidores de “Bolsa Mamata”, foi chancelada na surdina, sem o conhecimento do presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Amazonas (Sinpol-AM), Jaime Lopes, o que foi visto pela categoria como uma quebra total de diálogo e um ato de desrespeito à representação dos trabalhadores.
A nova legislação concede um generoso “Auxílio Operacional” de 30% sobre o salário base e a Gratificação de Exercício Policial (GEP) apenas para o topo da pirâmide da instituição: os delegados da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (CORE) e um grupo seletivo de 22 investigadores do Grupo F.E.R.A..
A manobra do governo para aprovar o bônus sem passar pelo crivo do sindicato joga gasolina no relacionamento já desgastado com as categorias da segurança pública.
Enquanto a cúpula ganha reajuste em segredo, a classe dos investigadores e escrivães amarga quatro promoções atrasadas, duas datas-base vencidas e o não pagamento da última parcela do escalonamento de cinco anos — acordos e direitos garantidos em lei que o Estado se recusa a cumprir sob a eterna alegação de falta de orçamento.
Bomba ecoa na Polícia Militar ─ A insatisfação também ecoa fortemente na Polícia Militar e nos Bombeiros, que compartilham das mesmas promessas quebradas, expondo que o argumento da crise fiscal só serve para travar os direitos de quem está na rua, enquanto há dotações de sobra para inflar os rendimentos dos gabinetes.
Toda essa engenharia financeira ocorre no exato momento em que o Executivo realiza remanejamentos de recursos severos para cobrir rombos fiscais deixados pelo ex-governador Wilson Lima.
Em vez de utilizar o orçamento para honrar os compromissos firmados com os policiais ou para estender o funcionamento das delegacias de bairro — que hoje fecham rigorosamente às 17h e permanecem trancadas nos fins de semana —, o governo preferiu blindar financeiramente uma elite corporativa.
Ao ignorar o Sinpol e priorizar os comandos, Roberto Cidade compra uma briga direta com as forças de base e deixa o cidadão comum sem atendimento na ponta, refém de uma segurança pública que funciona apenas em horário comercial.
Veja na íntegra a Lei nº 8.440:
Da Redação, com informações do portal correiodaamazonia







