Nunes Marques recebe título após impor derrota bilionária ao Amazonas  

Ministro Nunes Marques impôs uma derrota amarga à economia estadual, e agora é recompensado pelo deputado Roberto Cidade ─ FOTO: Reprodução  

 

Manaus (AM) — O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Kassio Nunes Marques, passou a figurar oficialmente como cidadão amazonense neste mês de dezembro. A honraria, proposta pelo presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM), deputado Roberto Cidade (União), foi sancionada pelo governo estadual no último dia 23.

No entanto, o reconhecimento honorífico ocorre em meio a um cenário de forte controvérsia econômica, após o magistrado ter sido o relator de uma decisão que retirou recursos cruciais dos cofres estaduais.

O Título de Cidadão do Amazonas, fundamentado na Resolução Legislativa nº 71/1977, exige que o agraciado tenha prestado serviços relevantes ao Estado e possua conduta ilibada.

A justificativa para a comenda baseia-se na atuação de Nunes Marques no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), onde julgou processos de impacto social e previdenciário para a região. Contudo, a recente atuação do ministro no STF caminha no sentido oposto aos interesses financeiros do povo amazonense.

A despeito da homenagem, Nunes Marques foi o responsável por declarar inconstitucionais trechos vitais da Lei Estadual nº 3.874/2013. Ao julgar a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5335, encerrada em agosto, o ministro invalidou a cobrança de compensações financeiras — os royalties — sobre a exploração de petróleo, gás natural e recursos hídricos em solo amazonense.

A decisão gerou um prejuízo imediato e de longo prazo para a economia do Amazonas. Com o entendimento fixado pelo magistrado, o Estado perde o direito de receber essas compensações, que serviam para financiar políticas públicas e investimentos em infraestrutura.

O revés jurídico é considerado uma das maiores derrotas econômicas recentes para o ente federativo, justamente em setores onde o Amazonas possui grande potencial de arrecadação.

A entrega da comenda levanta questionamentos nos bastidores políticos sobre o cumprimento dos requisitos de “serviços relevantes prestados ao Estado”, visto que o voto do ministro resultou em um esvaziamento de receitas estaduais.

Enquanto o título celebra o vínculo jurídico do piauiense com a terra, a realidade financeira do Amazonas enfrenta os reflexos diretos de sua caneta no Supremo Tribunal Federal.

Da Redação

 

Artigo anteriorSTJ mantém prisão preventiva de líder de garimpo ilegal em Maués
Próximo artigoANS assume direção fiscal da Unimed Manaus por problemas financeiros