
Manaus (AM) ─ O governador do Amazonas e candidato à reeleição, Roberto Cidade (União Brasil), assinou nesta semana um decreto de remanejamento orçamentário de R$ 54,4 milhões para socorrer com urgência os serviços básicos da rede pública de saúde e manter obras viárias em andamento.
Para isso, a gestão estadual precisou retirar recursos de áreas cruciais, como projetos habitacionais, tecnologia e custeio de serviços essenciais, escancarando a falta de planejamento e a proximidade de um colapso no atendimento à população.
A maior fatia desse “malabarismo” financeiro foi direcionada à Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM). Foram realocados R$ 24,3 milhões para evitar que leitos de UTI, maternidades, cirurgias eletivas e a distribuição de medicamentos essenciais fossem paralisados por falta de caixa.
No entanto, o socorro emergencial cobrou um preço alto: para garantir a operação diária das unidades na capital e no interior, o Executivo desidratou despesas operacionais com contratos de serviços terceirizados, telessaúde ─ um dos principais projetos criado pelo ex-governador Wilson Lima e candidato ao Senado ─ e parcerias tecnológicas, gerando um efeito dominó de incertezas na prestação de serviços e na manutenção dos postos de trabalho da categoria.
Na área de desenvolvimento urbano, a troca de prioridades em pleno ano eleitoral ficou ainda mais evidente. O Governo retirou R$ 10 milhões que estavam carimbados no Fundo Estadual de Habitação (FEH) para a construção de moradias populares e os transferiu para o Fundo de Infraestrutura (FIDE), gerido pela Seinfra.
Na prática, a gestão rifou projetos habitacionais em favor do fluxo de caixa de obras estruturantes gerais.
Arrumações semelhantes atingiram a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), o Tribunal de Justiça (TJAM) e o setor de Cultura, que viram verbas de investimentos em infraestrutura e patrimônio serem cortadas para cobrir despesas correntes, benefícios e despesas operacionais da máquina.
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Tecnicamente batizada de “suplementação por anulação de dotação”, a manobra revela um Governo que opera no limite do teto de gastos e sem margem de arrecadação própria.
Ao “cobrir um santo cobrindo outro”, Roberto Cidade tenta afastar o desgaste político de uma paralisação nos hospitais às vésperas do pleito. A estratégia de apagar incêndios com a tesoura orçamentária, porém, deixa um rastro de desassistência e compromete investimentos estruturantes que deveriam garantir o futuro do Amazonas a longo prazo.
Veja a medida:
Da Redação











