
Manaus (AM) ─ Os motoristas de Itacoatiara, município a 265 quilômetros de Manaus, enfrentam desde o início desta semana uma escalada agressiva no preço dos combustíveis, com a maioria dos postos comercializando o litro da gasolina ao valor fixo de R$ 8,49.
A uniformidade dos preços em estabelecimentos distintos levanta uma forte suspeita de combinação de valores e formação de cartel, prática que anula a livre concorrência e pune diretamente o consumidor da Região Metropolitana. Em Manaus, o preço varia de R$ 7,29 a R$ 7,35.
Enquanto na capital, Manaus, os preços oscilam em patamares significativamente menores, a “Velha Serpa” tornou-se uma ilha de preços inflados, onde apenas raras exceções ainda praticam valores na casa dos R$ 7,99, expondo o abismo tarifário dentro do próprio estado.
Especialistas do setor energético apontam que a pressão sobre as bombas é um reflexo direto da instabilidade geopolítica no Oriente Médio, onde o agravamento do conflito envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã desestabilizou o mercado global.
O temor de um bloqueio prolongado no Estreito de Ormuz — via vital para o escoamento de petróleo na região — disparou o valor do barril no mercado internacional. Essa crise logística global serve de pano de fundo para os reajustes, mas não justifica a padronização quase absoluta observada no município, o que exige uma intervenção imediata dos órgãos de controle.
Diante da asfixia econômica imposta aos cidadãos, faz-se urgente que o Instituto de Defesa do Consumidor (Procon-AM) e o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) iniciem uma fiscalização rigorosa nos postos de Itacoatiara.
A denúncia popular aponta para uma possível violação da ordem econômica, onde o consumidor perde o direito de escolha pela inexistência de concorrência real.
É fundamental que as autoridades verifiquem as notas fiscais de compra e venda para identificar se a alta é uma necessidade técnica ou um movimento coordenado para maximizar lucros sobre uma crise internacional, punindo eventuais práticas abusivas que sufocam o bolso do trabalhador itacoatiarense.
A situação gera indignação entre taxistas, mototaxistas e freteiros que dependem do combustível para garantir a renda familiar e veem o lucro ser corroído pela inflação nas bombas.
A disparidade com Manaus, onde a logística de distribuição é similar, reforça a tese de que o mercado local em Itacoatiara está operando sem o devido cerco fiscalizador.
A população aguarda que os órgãos de defesa do consumidor saiam da capital e cruzem a AM-010 para restaurar a legalidade nos preços praticados na terceira maior cidade do estado.
Da Redação







