
Manaus (AM) – Um “ato falho” do deputado Adjuto Afonso (União) na noite deste domingo (05/04) jogou luz sobre o que os bastidores da política amazonense já davam como certo: a eleição indireta para o Governo do Estado parece ter cartas marcadas.
Ao encerrar a sessão solene na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), Adjuto, que assume a presidência da Casa, deixou escapar a estratégia governista para efetivar Roberto Cidade (União) no cargo de chefe do Executivo.
Durante os agradecimentos finais, Adjuto Afonso dirigiu-se a Roberto Cidade tratando-o como solução definitiva, e não temporária:
─ Desejar muito êxito ao nosso futuro… nosso governador interino, mas breve, breve não será mais interino, com certeza.
A frase, acompanhada de sorrisos e clima de cumplicidade entre os parlamentares presentes, confirma que a base governista já trabalha com um cronograma fechado para os próximos 30 dias.
O jogo de “Cartas Marcadas” ─ A declaração de Adjuto revela três pontos cruciais da estratégia do grupo, e revela que a eleição indireta na Aleam já possui um vencedor definido antes mesmo do edital.
Outra análise política é que o grupo político do ex-governador Wilson Lima vai trabalhar pela manutenção de Cidade no governo e garantir o controle da máquina pública para o União Brasil.
A efetivação coloca Roberto Cidade em posição de vantagem para a disputa das eleições gerais de 2026, consolidando seu nome como o candidato da máquina.
Veja o vídeo:
Os próximos passos ─ Com a vacância no Executivo, a Aleam tem o rito constitucional de realizar a eleição por voto dos deputados. No entanto, a fala de Adjuto Afonso retira o caráter de “disputa” do pleito, transformando a eleição indireta em um mero rito de passagem para oficializar o nome de Cidade no comando do Amazonas.
A eleição indireta deve ocorrer nos próximos 30 dias. Enquanto isso, o clima na Aleam é de “missão cumprida” antes mesmo do pleito oficial. A fala de Adjuto Afonso retira o véu de incerteza que costuma cercar esses processos, deixando claro que a sucessão governamental no Amazonas está sendo escrita com caneta parlamentar e muita antecedência.
Resta saber como as forças de oposição e a sociedade civil reagirão à naturalização de um processo que, por lei, deveria ser uma escolha democrática (ainda que indireta) entre os pares, e não um anúncio antecipado em tom de celebração.
Da Redação







