
Manaus (AM) — A sessão plenária da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) desta quarta-feira (28/10) degringolou em um bate-boca generalizado que escancarou o acirramento ideológico e a paralisia política do Parlamento Estadual.
O presidente da Casa, deputado Adjuto Afonso (União Brasil), foi forçado a encerrar os trabalhos de forma vexatória, alegando falta de quórum regimental para votação após o plenário ser transformado em palco de ameaças de retaliação e ataques pessoais.
O tumulto foi desencadeado durante a apreciação do Projeto de Lei de autoria do deputado Sinésio Campos (PT), que propõe a criminalização da intolerância contra povos tradicionais, comunidades indígenas e religiões de matrizes africanas.
Pedido de vista desencadeia ameaça de retaliação institucional ─ O clima descambou quando o deputado Dr. Gomes (União Brasil) pediu vista da matéria, paralisando a tramitação do texto. A manobra regimental gerou revolta imediata no parlamentar petista.
Usando o peso do seu cargo de Corregedor-Geral da Aleam, Sinésio Campos reagiu em tom de retaliação direta e ameaçou cancelar e impugnar todos os projetos de lei aprovados pela Casa de teor religioso — incluindo matérias que instituem festejos e calendários para santos católicos e datas evangélicas no interior do estado.
A postura do corregedor gerou indignação imediata e mobilizou os deputados João Luiz (Republicanos), Drº George Lins e Joana Darc, ambos do União Brasil, e Wilker Barreto (PSD), que foram à tribuna contestar o tom intimidatório e arbitrário de Sinésio.
Comparação com Alexandre de Moraes e esvaziamento do plenário ─ O ápice do confronto ocorreu durante o aparte da deputada Débora Menezes (PL). Em tom provocativo, a parlamentar de direita sugeriu mudar o nome do deputado petista para “Alexandre de Moraes”, em referência ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), acusando o colega de atuar com autoritarismo e agir à margem das práticas republicanas no comando da Corregedoria.
Menezes afirmou que o corregedor estava “agindo igual a Alexandre de Moraes no STF” e apontou incoerência em sua atuação legislativa. Sinésio rebateu aos gritos, gerando bate-boca generalizado e troca de acusações que impossibilitou qualquer continuidade dos trabalhos.
Diante da bagunça instaurada no plenário e do esvaziamento das bancadas, Adjuto Afonso declarou a ausência de quórum e cancelou a sessão ordinária sem votar as matérias da pauta.
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