Amazonprev confirma que R$ 50 milhões aplicados no Master saíram do Tesouro do Estado  

O escândalo do investimento de R$ 50 milhões da Amazonprev no Banco Master ganhou um novo e pesado capítulo político ─ FOTO: Reprodução  

 

Manaus (AM) – Em esclarecimento prestado ao Grupo de Trabalho (GT) criado pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), a Fundação Amazonprev confirmou que o aporte para a compra de Letras Financeiras do Banco Master — que sofreu intervenção do Banco Central — não atingiu os fundos dos demais poderes, tendo sido retirado exclusivamente da conta do Poder Executivo.

A revelação expõe o caixa direto do Governo do Amazonas, sob a gestão Wilson Lima, a um prejuízo milionário, e veio à tona no mesmo dia em que o senador Eduardo Braga (MDB-AM) foi indicado para integrar o Grupo de Trabalho da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal.

O GT da CAE terá a missão de acompanhar nacionalmente as investigações sobre os investimentos no Banco Master e os possíveis impactos em fundos de pensão e previdências estaduais.

A coincidência entre a revelação da imprensa local e a indicação de Braga eleva a temperatura da crise, que ganhou um novo e pesado capítulo político e pode ser um dos maiores escândalos financeiros da história do Amazonas.

Enquanto o GT do TJAM, presidido pelo desembargador Jomar Fernandes, se deu por satisfeito com as informações da Amazonprev, o Senado Federal passará a monitorar se houve um padrão de irregularidade que possa ter prejudicado outros estados, colocando o Amazonas no centro do debate sobre responsabilidade fiscal e previdenciária.

Dados destacados pelo GT do TJAM mostram que o investimento representa 3,5% do total do fundo da Amazonprev. Para os especialistas, essa concentração em uma instituição de alto risco sugere uma falha grave de governança.

Impacto direto nos aposentados do Executivo ─ A análise técnica indica que, embora o pagamento mensal dos aposentados seja garantido pelo Tesouro Estadual, o rombo de R$ 50 milhões gera consequências severas para quem depende da previdência do Executivo:

Déficit atuarial: O prejuízo aumenta o “buraco” nas contas de longo prazo, o que pode forçar futuras reformas previdenciárias ou aumento de alíquotas para os servidores.

Custo de oportunidade: O dinheiro que o Governo terá de usar para cobrir essa perda é um recurso que deixa de ser investido em áreas vitais como saúde e segurança.

Incerteza: A dependência cada vez maior de repasses diretos do Tesouro para honrar a folha de pagamento torna o sistema vulnerável a crises fiscais do Estado.

Com a entrada do Senado Federal na investigação por meio do senador Eduardo Braga, a gestão da Amazonasprev e o Governo do Estado devem enfrentar uma devassa em seus critérios de investimento, buscando identificar se a decisão de aplicar R$ 50 milhões no Banco Master foi apenas um erro técnico ou se houve omissão deliberada diante dos riscos.

Veja o comunicado do TJAM:

Da Redação, com informações do site correiodaamazonia.com.br

 

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