
Manaus (AM) ─ Ocupando a Esplanada dos Ministérios com o peso de mais de duzentas etnias, começou nesta segunda-feira (06/04) a 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL). O maior fórum de mobilização indígena do país abre o “Abril Indígena” em 2026 sob uma atmosfera de cobrança direta ao Palácio do Planalto e ao Congresso Nacional, em um ano marcado pelo acirramento das disputas fundiárias.
A organização do evento espera a chegada de 7 mil lideranças ao longo da semana. O foco central da mobilização é o destravamento das homologações de Terras Indígenas (TIs), que, segundo a Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), enfrentam uma “paralisia burocrática e política” diante da pressão do setor ruralista.
Diferente de edições anteriores, o ATL 2026 ocorre em um momento de fadiga institucional sobre a tese do marco temporal.
Embora o tema tenha passado por idas e vindas no Judiciário e no Legislativo, os povos originários buscam agora uma ofensiva internacional para garantir que o direito originário às terras se sobreponha a qualquer recorte temporal fixado em 1988.
─ Não viemos apenas para celebrar nossa cultura, viemos para exigir que a caneta do Executivo funcione. A demarcação é a única barreira real contra o avanço do crime organizado e do garimpo em nossos territórios -, afirma Dinamam Tuxá, um dos coordenadores da Apib.
Violência e conflitos no campo ─ O relatório de abertura do acampamento deve apresentar dados preliminares sobre a violência no campo no primeiro trimestre de 2026. Lideranças relatam que a incerteza jurídica sobre a posse das terras tem servido de combustível para invasões em estados como Mato Grosso do Sul, Pará e Maranhão.
A programação da semana prevê:
Marchas na Esplanada: Protestos em frente ao Ministério da Justiça e ao STF.
Audiências públicas: Tentativas de interlocução com a presidência da Câmara e do Senado.
Vigílias culturais: Atos simbólicos em memória dos líderes indígenas assassinados nos últimos dois anos.
Equilíbrio político ─ Para o governo federal, o ATL representa um desafio de equilíbrio. Se por um lado a gestão atual se elegeu com uma plataforma de proteção ambiental e indígena, por outro, enfrenta um Congresso de maioria conservadora e a necessidade de manter a estabilidade com o agronegócio.
A presença de ministros no acampamento é esperada para o meio da semana, mas o movimento indígena já sinalizou que não aceitará apenas “gestos simbólicos”. A exigência é a assinatura imediata de decretos de homologação que aguardam o crivo presidencial.
O acampamento segue até a próxima sexta-feira (10/04), quando um documento final com as reivindicações do movimento será entregue oficialmente aos chefes dos Três Poderes.
Da Redação, com informações de agências nacionais







