
Manaus (AM) ─ O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas autorizou, com dispensa de licitação eletrônica, a compra de mamógrafo e obras de adequação de uma sala na sede do comando-geral por R$ 65,4 mil — em uma instituição cujo efetivo é esmagadoramente masculino. A corporação conta com mais de 1.500 soldados, sendo 560 ocupado por mulheres.
A compra foi autorizada pelo comandante-geral dos Bombeiros, Orleilso Muniz, e valor pago à empresa Amplomed Ltda. O curioso é que no mercado nacional e regional custa em trono de R$ 93 mil, e a compra acontece diante do cenário de calamidade ambiental que sufoca o estado às vésperas da eleição.
Esse vaivém de recursos na segurança pública ocorre no momento mais crítico da estiagem, evidenciando o descaso do comando militar com o combate direto aos incêndios florestais que destroem a vegetação e castigam a saúde dos cidadãos.
O exemplo mais dramático da inércia estatal e da falta de investimentos estruturais no combate ao fogo concentra-se no distrito de Cacau-Pirêra, no município de Iranduba (localizado a apenas 12 quilômetros de Manaus).
Há dias, um incêndio florestal de proporções catastróficas consome centenas de hectares de mata às margens da rodovia AM-070.
As chamas geraram uma gigantesca cortina de poluentes que cruzou o rio Negro e invadiu a capital, fazendo com que o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva) e a Defesa Civil emitissem alertas severos sobre a péssima qualidade do ar em Manaus, recomendando o uso de máscaras e o isolamento de grupos de risco.
Prioridade deixada de lado ─ Moradores da capital e do interior vêm relatando forte odor de queimado, irritação nos olhos e graves problemas respiratórios provocados pela fumaça.
Diante de uma crise que já levou Manaus a registrar picos de poluição alarmantes, a aplicação de milhares de reais da caserna para abrigar um mamógrafo — cujo preço médio de mercado para um aparelho digital novo gira em torno de R$ 93 mil — aciona o alerta máximo de desvio de finalidade.
Em vez de o Corpo de Bombeiros focar 100% de seus recursos e esforços na compra de viaturas, equipamentos de proteção e insumos para os militares que arriscam a vida combatendo o fogo na vegetação seca, a cúpula preferiu fechar um contrato direto sem concorrência ampla.
A controversa reforma médica em plena temporada de asfixia coletiva agora entra na mira do Ministério Público e do Tribunal de Contas para uma devassa imediata.
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Da Redação








