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Wilson Lima desiste do Senado sob a sombra de escândalos e rejeição recorde  

O governador Wilson Lima foi eleito o pior governador do Brasil por dois anos consecutivos ─ FOTO: Reprodução  

 

Manaus (AM) ─ A decisão do governador Wilson Lima (União Brasil) anunciada, nesta segunda-feira (02/03), de não disputar o Senado Federal nas eleições do dia 4 de outubro deste ano marca um capítulo inédito e melancólico na história política do Amazonas desde a redemocratização do Brasil.

Ao contrário de todos os seus antecessores, como Amazonino Mendes, Eduardo Braga e Omar Aziz, que migraram com sucesso do Palácio da Compensa para a Câmara Alta, Lima capitulou diante de uma rejeição popular esmagadora.

O recuo expõe a fragilidade de um governo que, apesar de ter movimentado mais de R$ 240 bilhões em oito anos — quantia cinco vezes superior ao somatório das gestões de José Melo, David Almeida e Amazonino Mendes entre 2015 e 2019 —, não conseguiu converter recursos astronômicos em melhorias básicas para a população.

O desgaste da imagem de Wilson Lima é indissociável das crises éticas que ganharam repercussão internacional. O governador tornou-se réu no Superior Tribunal de Justiça (STJ) sob a grave suspeita de liderar uma organização criminosa para o desvio de recursos públicos durante o auge da pandemia.

O episódio mais emblemático foi a compra de ventiladores pulmonares superfaturados em uma adega de vinho, enquanto Manaus vivia o “crime do oxigênio” — um colapso hospitalar sem precedentes que resultou na morte de centenas de amazonenses por asfixia nos leitos das unidades de saúde.

Esse passivo jurídico e moral gerou uma barreira de indignação na capital, onde o governador enfrenta dificuldades até mesmo para cumprir agendas públicas sem o risco de protestos.

A paralisia administrativa também pesa no isolamento do governador. Mesmo com o orçamento bilionário, áreas como educação e infraestrutura permanecem estagnadas, e a segurança pública entrou em colapso.

O Amazonas ostenta hoje o terceiro lugar no ranking nacional de feminicídios e mortes violentas intencionais, evidenciando a ineficiência de uma gestão que não logrou êxito em proteger seus cidadãos.

Pior governador do País ─ Esse passivo jurídico e moral refletiu diretamente nas avaliações de desempenho: institutos de pesquisa de renome nacional, como o AtlasIntel e a Paraná Pesquisas, apontaram Wilson Lima como o “pior governador do Brasil” por dois anos consecutivos, consolidando sua imagem como o gestor de menor aprovação no país.

No cenário eleitoral, essa realidade impulsionou nomes como o deputado federal Capitão Alberto Neto (PL), que lidera pautas de segurança, e o senador Eduardo Braga (MDB), que busca sua terceira reeleição com ampla vantagem nas pesquisas, deixando Wilson Lima sem capital político para uma disputa majoritária competitiva.

Ao abdicar da vaga no Senado, o governador tenta evitar um vexame nas urnas que selaria seu fim político precoce, preferindo manter o controle da máquina estadual até 2026.

Entretanto, o gesto é lido por analistas como uma confissão de fracasso de um modelo de gestão que priorizou a movimentação financeira em detrimento do bem-estar social e da probidade administrativa.

Para o eleitor amazonense, o momento exige vigilância sobre o destino dos recursos públicos e o exercício consciente do voto.

Da Redação

 

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