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Um alerta ao povo de bem (I)

Lúcio Carril é sociólogo, e colaborador do amazonas365

 

Por Lúcio Carril*

 

Desde o século XIX que tem gente anunciando o fim da história. Hegel sentenciou que o liberalismo era o auge da humanidade e o prenúncio do fim dos processos históricos. No século XX, Francis Fukuyana comemorou o triunfo do capitalismo e da democracia liberal, após a queda do Muro de Berlim e a desagregação da União Soviética.

O certo é que estamos vivos e enquanto houver vida ninguém tomará dois banhos no mesmo rio.

A história continua e tem no antagonismo de classes sua força motriz. O mundo não pode acabar enquanto houver tanta desigualdade e injustiça. Anunciar o fim da história é anunciar o fim do mundo, o fim de todo movimento, da física, da política, das ciências humanas e sociais.

Como estamos vivos e a luta continua, quero chamar  atenção das almas sonhadoras e persistentes no projeto de uma sociedade justa e igualitária para umas questões que me afligem.

1 – O STF é parte de um Estado classista, que existe para defender os interesses da classe dominante. A justiça é classista. O fato da suprema corte está cumprindo sua missão constitucional não pode servir de cortina de fumaça para encobrir seu papel histórico. Alexandre de Moraes tem sido um ministro honrado e comprometido com a constituição, mas ele não é do nosso lado, do lado dos excluídos. Não se espante quando ele estiver nos ferrando.

2 – A Globo e toda mídia patronal são golpistas e servem somente aos seus interesses. Se um dia elas foram contra o golpe, isso não as torna menos sórdidas. A mídia corporativa é um aparelho ideológico de Estado e o Estado é burguês.

3 – Nossos aliados políticos são apenas aliados. Eles não compõem nosso bloco histórico que almeja por transformação social. Hoje estão com a gente, mas amanhã estão com nossos inimigos. Foi assim com o centrão e foi assim em toda história política do mundo. Não podemos nos iludir e defender essa gente como se fosse parte da nossa vida de militante.

4 – Nossas composições eleitorais não são de classe. Elas apenas correspondem a um momento político. Talvez aqui resida o equívoco da esquerda em não criar um bloco histórico que lute pelo socialismo e por uma democracia participativa. Então, não se apaixone pelos candidatos de fora, nem por nossos aliados eventuais.

5 – Putin não é de esquerda (ele é de direita) e a Rússia deixou de ser socialista início dos anos 1990.  A Rússia desde lá é capitalista, daí Fukuyana ter anunciado o triunfo do capitalismo e da democracia liberal, e Putin foi eleito pela força dos “oligarcas”, uma elite formada por milionários e bilionários russos. Claro, entre Rússia e EUA, estamos com a Rússia, porque ela faz parte dos BRICs e enfrenta o império americano. Mas não faça defesa apaixonada de Putin e da Rússia.

Esses alertas servem apenas para quem tem o olhar histórico da luta política e social, quem sabe que a história não acabou e que o capitalismo não é o melhor sistema para embalar nossos sonhos de justiça e solidariedade. Fica a primeira dica.

*Lúcio Carril é sociólogo, e colaborador do amazonas365

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