
Manaus (AM) ─ O governo federal anunciou nesta segunda-feira (29/12) um plano de reestruturação profunda para os Correios, com o objetivo de frear um déficit que já ultrapassa os R$ 10 bilhões. A estratégia, que entra em vigor em fevereiro de 2026, prevê o fechamento de cerca de mil agências em todo o Brasil (16% das unidades próprias) e o corte de 15 mil funcionários via Plano de Demissão Voluntária (PDV).
No Amazonas, onde a estatal possui uma logística complexa para atender 93 agências espalhadas pelos 62 municípios e 83 bairros de Manaus, o impacto será sentido principalmente nas áreas com “sombreamento” — locais onde há mais de uma unidade funcionando na mesma região.
O plano visa eliminar redundâncias para economizar R$ 2,1 bilhões. Dois casos exemplificam como a medida deve afetar o estado:
Manaus ─ No Centro Histórico, onde operam três unidades (PAC Porto, rua Monsenhor Coutinho e rua Saldanha Marinho). No bairro São José, existem uma unidade do Uai Shopping e outra no Shopping Grande Circular, ambos na zona Leste. Nos dois casos a previsão é de que apenas uma seja mantida.
Itacoatiara ─ O município, distante 265 km da capital, conta atualmente com duas agências — uma na sede e outra no distrito de Novo Remanso. Pela nova diretriz, a tendência é que o atendimento seja centralizado em apenas uma unidade física.
Além do fechamento de agências, o plano foca na redução drástica de despesas fixas, que hoje consomem 90% da receita da estatal. Entre as medidas estão:
Redução de pessoal: Dois PDVs (em 2026 e 2027) para desligar 15 mil colaboradores.
Corte de benefícios: Revisão dos planos de saúde e previdência dos servidores, considerados “insustentáveis” pela atual gestão.
Venda de ativos: Leilão de imóveis da estatal para arrecadar R$ 1,5 bilhão.
Abertura de capital: Para 2027, o governo estuda transformar os Correios em uma empresa de economia mista, nos moldes da Petrobras e do Banco do Brasil.
O presidente da estatal, Emmanoel Rondon, garantiu que a reestruturação não violará o princípio da universalização. “O plano reafirma os Correios como ativo estratégico, garantindo eficiência especialmente onde ninguém mais chega”, afirmou.
A crise é atribuída à queda drástica no volume de cartas devido à digitalização e à concorrência agressiva de gigantes do e-commerce.
A partir de fevereiro, a população do Amazonas deverá se adaptar a uma rede mais enxuta, enquanto a estatal tenta equilibrar as contas para evitar um colapso financeiro.
Da Redação, com informações da Agência Brasil







