
Manaus (AM) – A Câmara Municipal de Manaus (CMM) figura novamente no centro das atenções da opinião pública amazonense, desta vez pelos gastos elevados e a persistente falta de clareza na utilização da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP).
Nos dois primeiros meses de 2025, os vereadores Gilmar Nascimento (Avante) e o presidente da Casa, David Reis (Avante) consumiram praticamente todo o montante de R$ 66.171,70 a que cada um tinha direito do “Cotão”, levantando questionamentos sobre a real necessidade e a transparência dessas despesas.
Apesar da divulgação dos valores no site da CMM, o que deveria garantir a transparência, a ausência de um detalhamento minucioso sobre a destinação de cada parcela dos R$ 33 mil mensais do “Cotão” por vereador dificulta o controle por parte da sociedade e dos órgãos fiscalizadores.
Gastos com combustível, contas de luz e internet, embora previstos, carecem de especificidade, abrindo margem para dúvidas sobre a correta aplicação dos recursos.
A situação se agrava ao considerar os demais benefícios de que dispõem os parlamentares: um salário mensal de R$ 26.080,98 e a possibilidade de contratar até R$ 98 mil em funcionários para seus gabinetes.
A soma desses valores representa um custo elevadíssimo para os cofres públicos municipais, tornando ainda mais urgente a necessidade de transparência total e fiscalização rigorosa sobre como esse dinheiro está sendo utilizado.
A quase totalidade dos gastos da CEAP por vereadores como Gilmar Nascimento e David Reis, que deixaram respectivamente apenas R$ 0,70 e R$ 145,85 da verba, serve de alerta para os órgãos de controle.
O Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) e o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) precisam intensificar a análise da documentação comprobatória desses gastos, verificando a sua legitimidade e a efetiva relação com a atividade parlamentar.
A falta de um detalhamento claro e acessível sobre os gastos da CMM impede que a população exerça seu direito de fiscalizar o uso do dinheiro público. É crucial que a Câmara de Manaus adote medidas para aumentar a transparência em seus gastos, fornecendo informações detalhadas e de fácil compreensão sobre a destinação da CEAP e demais verbas.
A omissão nesse sentido alimenta a desconfiança e reforça a necessidade de uma atuação firme e independente dos órgãos de fiscalização para garantir a probidade na gestão dos recursos públicos.
Veja como cada vereador gastou o “Cotão”:
De Redação