
Manaus (AM) ─ O Amazonas passou a ser uma das rotas do tráfico ilegal da axolote (Ambystoma mexicanum), uma espécie de salamandra exótica em extinção originária do México, e que tem entrada e comercialização proibida no Brasil. O animal aquático é uma ameaça ao ecossistema do país, segundo biólogos.
Nesta sexta-feira (28/03), três axolotes foram apreendidas por agentes dos institutos de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e Nacional do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama), no setor de triagem de encomendas da central dos Correios, na rua Senador Raimundo Parente, no bairro Flores, zona Centro-Sul de Manaus.
De acordo com o diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, as espécies estavam acondicionadas, cada uma, em sacos plásticos e submersas em água para garantir suas sobrevivências durante a viagem de avião até o Amazonas.
Eles teria sido enviadas pelos Correios como embalagem simples de um estado do sudeste do Brasil a uma pessoa moradora de Manaus, que teria pago R$ 450 por exemplar.
Nos últimos anos, a axolote tornou-se um sucesso entre as crianças e um símbolo nativo para os mexicanos está ameaçado de extinção e pode ameaçar o ecossistema brasileiro.
A espécie se destacou por sua popularização em mídias digitais e jogos eletrônicos, é como um dos personagens do “Minecraft”, incentivando o tráfico ilegal.

Mas no Brasil, a criação e comercialização desse “bicho de estimação” são ilegais.
Comprar e vender axolotes é crime ambiental no Brasil, sujeito a multa de R$ 5 mil por animal apreendido. Mas não é difícil encontrar ofertas de vendedores e criadores.
Segundo o médico-veterinário do Ibama, Laerzio Neto, os principais criadores e fornecedores ilegais estão concentrados nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro.
Raio-X encontrou os animais ─ A encomenda ilegal de axolotes foi identificada por equipamentos de raio-X dos Correios durante a triagem dos produtos que chegaram em Manaus nesta sexta-feira (28/03).
Os animais estavam escondidos em embalagens junto a outros materiais, com a intenção de burlar a fiscalização.
─ Os Correios utilizam tecnologia de raio-X para identificar objetos suspeitos e, quando necessário, acionam as autoridades para assegurar a apreensão de material ilegal -, afirmou o diretor do Ipaam.
Popularização e destino ─ A bióloga da Gerência de Fauna (Gfau) do Ipaam, Gabriela Campelo, explicou que, por se tratar de uma espécie exótica, os axolotes apreendidos não podem ser devolvidos à natureza. “O Ipaam e o Ibama buscam um mantenedor de fauna legalizado adequado, como um zoológico ou criador autorizado, para garantir seu manejo correto. O destino dos animais pode ser o Amazonas ou outro estado brasileiro”, destacou a especialista.
Os três exemplares de axolotes foram levados para o Centro de Triagem e Recuperação de Animais Silvestres (Cetras) do Ibama, na zona Sul da capital. O caso está sendo investigado pela Polícia Federal do Amazonas.
Da Redação com informações da assessoria de imprensa