
Brasília (DF) – O debate sobre a pavimentação da BR-319, rodovia que liga Porto Velho (RO) a Manaus (AM), incendiou os ânimos na Comissão de Infraestrutura do Senado Federal nesta terça-feira (27/05). O embate acalorado entre a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e os senadores Omar Aziz (PSD-AM) e Plínio Valério (PSDB-AM) culminou com a ministra abandonando a sessão em protesto contra a postura dos parlamentares.
A tensão girou em torno dos entraves ambientais para a conclusão da BR-319. O senador Omar Aziz iniciou a discussão acusando a ministra de “atrapalhar o desenvolvimento do país” ao criticar os obstáculos ambientais que, segundo ele, travam mais de 5 mil obras no Brasil.
Marina Silva se defendeu, afirmando que a questão não é ideológica e que a estrada, sem a devida governança ambiental, aciona grilagem, garimpo ilegal e desmatamento. Ela ainda questionou por que, nos 15 anos em que esteve fora do governo, outros ministros não avançaram com o projeto, sentindo-se, segundo ela, um “bode expiatório” no debate.
O clima esquentou ainda mais com a intervenção do senador Plínio Valério. O parlamentar do Amazonas, que já havia gerado polêmica em março ao afirmar ter vontade de “enforcar” a ministra em outra ocasião, proferiu a frase: “A mulher merece respeito, a ministra, não”. A declaração foi o estopim para a saída de Marina Silva da comissão.
A ministra reagiu imediatamente às falas de Valério, relembrando a ameaça anterior e exigindo um pedido de desculpas para continuar na sessão. “Eu fui convidada como ministra.
Se como ministra ele não me respeita, eu me retiro. O senhor me pede desculpa e eu permaneço. Se não pede desculpa, eu vou me retirar”, afirmou Marina. Diante da recusa de Plínio Valério em se retratar, a ministra se levantou e deixou o plenário.
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O episódio reflete a crescente polarização em torno da BR-319, vista como essencial para a conectividade do Amazonas com o restante do país por muitos políticos e setores da economia local, mas que gera profundas preocupações ambientais sobre os impactos no bioma amazônico.
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A postura dos senadores amazonenses é um reflexo da pressão regional por respostas sobre a rodovia, enquanto a ministra defende uma Avaliação Ambiental Estratégica como pré-requisito para o avanço total das obras.
A discussão e a saída da ministra da sessão evidenciam as dificuldades no diálogo entre os defensores do desenvolvimento regional e os ambientalistas, um desafio persistente na pauta amazônica. O caso deve repercutir intensamente nos próximos dias, especialmente no Amazonas, onde a BR-319 é tema de constante debate.
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Da Redação







