Justiça Federal aciona AM e Manaus por mortes evitáveis de indígenas

Documento aponta omissões graves na garantia de direitos básicos; órgão pede adoção de medidas urgentes ─ IMAGEM: IA

 

Manaus (AM) ─ Em uma decisão carregada de urgência diante de um cenário de invisibilidade e dor, a juíza federal titular da 9ª Vara Cível, Marília Gurgel Rocha, determinou, nesta segunda-feira (26/01), que o Governo do Amazonas e a Prefeitura de Manaus se manifestem imediatamente sobre a crise humanitária que assola o povo indígena Warao.

A determinação judicial ocorre após uma ação civil pública contundente do Ministério Público Federal (MPF), que denuncia omissões cruéis em serviços básicos, culminando em tragédias que poderiam ter sido evitadas: mortes de crianças por desnutrição.

O documento que embasa a decisão revela uma realidade que fere a dignidade humana. Em pleno coração da Amazônia, famílias Warao sobrevivem com apenas uma refeição a cada dois dias, abrigadas em prédios em ruínas, sem água potável e sem saneamento.

O MPF aponta que a falta de intérpretes e de um mapeamento correto nos últimos anos criou um “muro de silêncio” que impediu o acesso dessas famílias a hospitais e programas de assistência.

Ao exigir explicações dos entes públicos, a Justiça Federal coloca sob lupa a responsabilidade solidária de cuidar daqueles que a fome está consumindo. O MPF pede:

  • Levantamento nutricional imediato com busca ativa em toda a capital;
  • Contratação de mediadores culturais para romper a barreira linguística em hospitais e UBSs;
  • Indenização de R$ 300 mil por danos morais coletivos, a serem revertidos em segurança alimentar para a etnia.

─ Não são apenas números em um processo; são vidas silenciadas pela fome em áreas urbanas sem qualquer assistência -, diz um dos trechos adaptado do relatório de perícia antropológica.

A decisão da juíza Marília Gurgel Rocha abre um caminho de esperança para que a assistência social e a saúde deixem de ser promessas no papel e cheguem, finalmente, aos pratos e aos leitos de quem hoje luta apenas para sobreviver até o amanhecer.

Da Redação, com informações da assessoria de imprensa

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