
Manaus (AM) ─ O Ministério da Saúde oficializou, nesta quarta-feira (28 de janeiro de 2026), uma mudança estratégica no comando do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) de Parintins. O líder indígena Jecinaldo Sateré foi nomeado para o cargo, substituindo Mecias Bulete Jr, filho do ex-prefeito de Barreirinha, Mecias Sateré.
A jurisdição do Dsei Parintins abrange uma vasta área de atendimento, incluindo os municípios de Maués, Barreirinha, Nhamundá e Boa Vista do Ramos.
A exoneração de Bulete ocorre em meio a um desgaste administrativo provocado por uma série de denúncias encaminhadas ao Ministério da Saúde. O centro da crise seria a suposta interferência direta de seu pai, o ex-prefeito de Barreirinha, Mecias Sateré, na gestão do órgão. As denúncias apontavam que a influência política externa estaria comprometendo a autonomia e a eficiência do atendimento de saúde às comunidades.
Quem é Jecinaldo Sateré? ─ O novo coordenador possui uma trajetória consolidada no movimento indígena nacional, com trânsito livre no governo federal e proximidade com a ministra Sonia Guajajara.
Experiência: Ex-coordenador da COIAB (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira).
Cargo anterior: Atuava como coordenador de Direitos Sociais Indígenas no Ministério dos Povos Indígenas.
Aliado do Planalto: Jecinaldo é visto como um nome de confiança do presidente Lula para pacificar a gestão da saúde indígena no Amazonas.
O histórico confronto com Bolsonaro ─ Jecinaldo Sateré ganhou notoriedade nacional em maio de 2008. Durante uma audiência pública na Câmara Federal, ele enfrentou o então deputado Jair Bolsonaro.
Na ocasião, Bolsonaro criticava a homologação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol (RR) e defendia interesses de garimpeiros. Em um gesto de protesto que repercutiu em todo o país, Jecinaldo arremessou um copo d’água contra o parlamentar.
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Desafios da nova gestão ─ Ao assumir o posto, Jecinaldo terá o desafio imediato de auditar as contas e processos do Dsei Parintins e restabelecer a confiança das lideranças locais nas políticas de saúde do Governo Federal, afastando a sombra de influências políticas locais que motivaram a troca de comando.
Fonte: Diário Oficial da União (DOU)/Ministério da Saúde
Da Redação








