
Manaus (AM) ─ O Ministério Público do Amazonas (MPAM) instaurou uma Notícia de Fato para investigar a grave crise na segurança pública do município de Envira, distante 1.206 quilômetros de Manaus. A medida ocorre após denúncias de que a cidade conta com apenas quatro policiais militares para todo o patrulhamento ostensivo, enquanto facções criminosas expandem o domínio na região através de extorsões e agressões contra a população.
O promotor de Justiça de Envira, Christian Guedes da Silva aponta que, apesar das promessas de reforço feitas pelo Governo do Estado após episódios de “terrorismo urbano” ocorridos em setembro passado, o cenário atual é de redução do contingente, deixando o município vulnerável.
O relatório do MPAM destaca o avanço do Comando Vermelho no município, uma das facções criminosas mais violentas do Estado. Relatos indicam que a organização criminosa tem imposto “leis de disciplina” com agressões físicas a cidadãos, além de extorquir comerciantes e intensificar o tráfico de drogas.
A investigação revela que os poucos policiais em exercício cumprem uma escala exaustiva de 24 horas de trabalho por 24 de descanso. Há, ainda, alertas de inteligência sobre uma segunda organização criminosa tentando se estabelecer na cidade, o que eleva o risco de confrontos armados.
Diante da urgência, o MPAM enviou requisições com prazos rigorosos para diversos órgãos:
- Polícia Militar e SSP-AM (10 dias): Devem detalhar o cronograma de ampliação do efetivo, os planos de contingência contra facções e a possibilidade de envio de tecnologia avançada para inteligência.
- Polícia Civil (10 dias): Deve apresentar dados estatísticos de criminalidade dos últimos 12 meses e confirmar o status das investigações sobre grupos criminosos.
- Prefeitura de Envira (15 dias): Foi questionada sobre o interesse e a viabilidade orçamentária para a criação de uma Guarda Municipal, contando com o auxílio técnico-jurídico do MP para a estruturação do projeto de lei.
O MPAM adverte que a omissão dos órgãos estaduais pode agravar o quadro de vulnerabilidade social e comprometer a ordem pública em um dos municípios mais isolados do interior do Amazonas.
Da Redação, com informações da assessoria de imprensa







