Início Política Justiça cancela títulos após biometria detectar rostos iguais em Envira

Justiça cancela títulos após biometria detectar rostos iguais em Envira

A suspeita de fraude foi detectada entre uma indígena da etnia Kulina e as inscrições foram canceladas ─ FOTO: Reprodução

 

Manaus (AM) ─ O Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) cancelou, nesta terça-feira (17/03), as inscrições eleitorais de Maria Kulina e Taia Kulina, pertencentes à etnia Kulina (Madija), na 46ª Zona Eleitoral de Envira (município distante 1.470 quilômetros de Manaus), na calha do rio Juruá.

A decisão ocorreu após o Módulo de Inconformidades Biométricas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) detectar uma similaridade facial “relevante” entre ambas.

O processo administrativo nº 0600029-66.2025.6.04.0046 expõe as dificuldades de fiscalização em regiões de difícil acesso, como as calhas dos rios Purus e do  Juruá, onde a etnia Kulina é predominante e as barreiras culturais e linguísticas impõem desafios à Justiça Eleitoral.

A investigação revelou que as duas inscrições — os títulos nº 020185262208 e nº 031137812240 — apresentavam as mesmas características biométricas, sugerindo que se tratava da mesma pessoa operando com nomes distintos.

Durante o procedimento, uma das interessadas compareceu ao cartório, mas a impossibilidade de comunicação fluente em língua portuguesa e a ausência de qualquer documento oficial de identificação civil impediram a confirmação de sua identidade.

Nem mesmo o apoio institucional da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) foi suficiente para localizar e orientar as envolvidas, consolidando a suspeita de pluralidade de inscrições em uma área onde o Estado encontra dificuldades extremas de atuação.

Este caso em Envira soma-se a outros levantamentos realizados pela Justiça Eleitoral no Amazonas apenas neste ano de 2026.

Monitoramentos recentes apontam que a “malha fina” da biometria tem apertado o cerco em municípios com histórico de alta rotatividade de domicílio eleitoral e presença marcante de populações tradicionais, como Manacapuru, Iranduba, Careiro, Itacoatiara, Santo Antônio do Içá e, até mesmo, em Manaus, onde a fiscalização tem sido intensificada para evitar que o “voto plural” desequilibre os pleitos municipais e gerais.

A sentença proferida pelo juiz Fábio Lopes Alfaia reforça a urgência da regularização do cadastro.

Os cidadãos que possuem pendências com a Justiça Eleitoral ou precisam realizar a coleta biométrica devem ficar atentos: o prazo final para a regularização de títulos para as eleições de outubro encerra no próximo dia 6 de maio.

Após essa data, o cadastro será fechado, impedindo qualquer alteração ou emissão de novos documentos até o término da votação, o que pode privar eleitores em situação irregular de exercerem seus direitos políticos.

Veja a decisão:

Da Redação

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