
Manaus (AM) – A violência que assola a região da tríplice fronteira atingiu um novo patamar de ousadia na noite deste domingo (01/02). Um adolescente de apenas 13 anos, identificado pelas iniciais E. S. M., foi executado a tiros em frente à sede da prefeitura de Tabatinga (município distante 1.114 quilômetros de Manaus), no Alto Solimões.
O crime, ocorrido em um dos pontos mais centrais e simbólicos da administração municipal, gerou imediata repercussão política e cobranças sobre a eficácia do policiamento na região.
Segundo relatos de testemunhas, a vítima estava nas proximidades do prédio público quando foi alvejada. O local, que deveria contar com monitoramento e vigilância constante por sua relevância institucional, tornou-se palco de mais um episódio de sangue que reforça o sentimento de insegurança na fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru.
O assassinato do adolescente em frente ao gabinete do Executivo municipal reacendeu o debate político sobre a “omissão do Estado” e a necessidade urgente de uma intervenção federal mais robusta no Alto Solimões.
Parlamentares da oposição e lideranças locais utilizaram as redes sociais para questionar o silêncio das autoridades diante do domínio de facções criminosas que atuam na rota do narcotráfico.
Veja o vídeo:
Políticos da região destacam que o crime não é apenas um caso de segurança pública, mas um “atentado simbólico” contra o poder instituído, uma vez que o homicídio foi praticado na porta da Prefeitura.
─ Onde o Estado deveria estar mais presente, o crime dá as cartas. Não é mais uma questão de números, é uma questão de soberania -, declarou uma liderança política local que preferiu não se identificar.
Inquérito e resposta das autoridades ─ A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), por meio da Delegacia Interativa de Polícia (DIP) de Tabatinga, instaurou inquérito para apurar a motivação do crime. Até o momento, a principal linha de investigação é a execução, dadas as características da abordagem.
No âmbito político, espera-se que a Câmara Municipal de Tabatinga convoque representantes da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM) para prestar esclarecimentos sobre o baixo efetivo e a falta de câmeras de monitoramento em áreas estratégicas da cidade.
Enquanto isso, o clima na cidade é de apreensão, com moradores evitando transitar pelo centro comercial e administrativo após o entardecer.
O corpo do adolescente foi encaminhado ao necrotério da cidade e o caso será acompanhado pelo Conselho Tutelar e pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM), dada a idade da vítima.
Da Redação







