
Manaus (AM) – O Ministério dos Transportes confirmou que as obras de repavimentação dos quatro lotes do chamado “trecho do meio” da BR-319 devem começar efetivamente até o final de junho. A garantia foi dada pelo secretário-executivo da pasta, George Santoro, detalhando o cronograma que pretende destravar a rodovia que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO).
De acordo com o ministério, as ordens de serviço para os quatro lotes que compõem o trecho crítico serão assinadas até o dia 15 de junho, etapa fundamental para a entrada das máquinas na pista.
O planejamento do governo federal aponta que o segundo lote do trecho terá a ordem de serviço assinada já na próxima semana. Na sequência, os contratos dos outros dois trechos restantes serão firmados até meados do mês.
Esse avanço ocorre logo após o primeiro lote ter sido homologado e receber a autorização inicial em Manaus, no final de maio, durante agenda que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O plano original da pasta era concluir a homologação de todos os contratos de licitação logo na primeira semana de junho para garantir o início imediato dos trabalhos no período de estiagem.
A retomada do processo licitatório em maio encerrou um capítulo de forte instabilidade jurídica envolvendo a rodovia.
A Justiça Federal do Amazonas chegou a suspender o certame do “trecho do meio” um dia antes da abertura das propostas comerciais das empreiteiras, atendendo a questionamentos ambientais.
Decisão judicial ─ No entanto, a decisão foi revertida horas depois pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), permitindo que o Ministério dos Transportes seguisse com os trâmites administrativos.
A pavimentação da BR-319 divide opiniões e protagoniza impasses políticos e socioambientais há décadas na região Norte.
De um lado, defensores da obra, incluindo a bancada federal amazonense e lideranças comerciais, argumentam que a rodovia é a única ligação terrestre do Amazonas com o restante do país, sendo vital para acabar com o isolamento logístico e baratear o custo de insumos e alimentos.
Por outro lado, organizações ambientalistas alertam constantemente para os riscos de explosão do desmatamento ilegal, avanço da grilagem de terras públicas e aumento da pressão predatória sobre áreas de floresta nativa preservada e terras indígenas que circundam a estrada.
Da Redação







