
Manaus (AM) ─ O presidente da Câmara de Manaus, vereador David Reis (Avante) anunciou, nesta terça-feira (03/03), que irá, finalmente, convocar os aprovados no concurso público da Casa Legislativa, em um movimento político traduzindo que aceitou a derrota pelas tentativas de anular o certame.
A decisão ocorre após o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) revogar, por unanimidade, o ato administrativo de Reis que buscava anular o concurso — manobra vista por críticos como uma tentativa de manter o controle político sobre às vagas da instituição.
A trajetória de David Reis à frente da CMM tem sido marcada por uma gestão cercada de controvérsias e tentativas de imposição de vontade própria sobre o interesse público.
Antes do imbróglio do concurso, o presidente já havia protagonizado escândalos de repercussão negativa, como o polêmico projeto do “Puxadinho da CMM” (orçado em R$ 32 milhões) e o aluguel de veículos de luxo com dinheiro público.
A tentativa de cancelar o concurso, sob alegações técnicas que não convenceram os desembargadores, foi interpretada como o ápice de uma postura autoritária que agora sucumbe à soberania do Judiciário.
Contraste flagrante ─ Em seu pronunciamento no Plenário Adriano Jorge, David Reis adotou um tom de austeridade que contrasta flagrantemente com suas ações anteriores. Ao afirmar que sua palavra é seu “maior valor” e que “o que foi acertado será cumprido”, o parlamentar ignora que só chegou a este ponto por ter sido obrigado pela Justiça a desfazer o próprio ato de cancelamento que ele mesmo assinou.
A declaração de que “não há ninguém, vivo ou morto, que me faça voltar atrás” soa contraditória: na prática, foi justamente a caneta do Judiciário que o fez recuar de sua decisão de barrar os concursados.
Ao declarar que a “Câmara está acima de todos nós” e que a cidade merece “respeito e responsabilidade”, Reis tenta se desvincular da imagem de gestor que priorizou entraves burocráticos em detrimento do direito dos aprovados.
A convocação, embora anunciada como um ato de “compromisso”, é, na verdade, o cumprimento forçado de um mandado de segurança que não lhe deixou alternativas.
A nova comissão do concurso deve ser instituída nos próximos dias para definir o cronograma de nomeação, encerrando um dos capítulos mais desgastantes da história recente do legislativo municipal.
A vitória dos concursados sobre a caneta do presidente reforça a importância da independência dos poderes e do controle social. Para o cidadão manauara, o desfecho serve como lembrete do impacto das decisões políticas na gestão da cidade.
Neste ano, Reis é candidato à uma vaga na Assembleia Legislativa do Amazonas.
Da Redação







